
🤖 “Bots da militância”? Esquerda aciona rede suspeita para reagir ao tarifaço de Trump
Contas com poucos seguidores e comportamento automatizado alavancam campanha no X contra Trump e Bolsonaro após anúncio de nova taxação a produtos brasileiros
Logo após o anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre novas tarifas de 50% para produtos brasileiros, uma enxurrada de críticas tomou conta da rede social X (antigo Twitter). Mas por trás do barulho virtual, há algo curioso: boa parte da mobilização partiu de perfis com poucos seguidores e comportamento típico de automação — o que acendeu o alerta sobre uma possível ação coordenada com uso de “robôs digitais”.
Segundo levantamento feito com dados da plataforma Brandwatch, cerca de um terço das 1,6 milhão de postagens usando a frase “Bolsonaro taxou o Brasil” veio de um grupo pequeno de contas que publicaram com volume e frequência acima do comum. Só entre os dias 9 e 14 de julho, mil dessas contas foram responsáveis por mais de 500 mil posts.
Um dos perfis que mais publicou, chamado @GilsonAraj90635, chegou a registrar 20 publicações por minuto, sempre repetindo a mesma hashtag. Com apenas 169 seguidores, o comportamento lembra estratégias sendo adotadas por setores da esquerda.
Essa movimentação não surgiu do nada. Ela foi impulsionada por mensagens dentro do chamado “Clube de Influência”, grupo de WhatsApp ligado ao PT e à militância petista. A orientação para o uso da expressão “Bolsonaro taxou o Brasil” foi enviada às 11h09 de uma sexta-feira. Menos de uma hora depois, a frase já era trend no X, liderando os assuntos mais comentados no Brasil.
Outro perfil suspeito, @OveinhoT78336, com 1.270 seguidores, chegou a fazer 27 posts por minuto, mesclando hashtags como #BolsoTaxa, #DefendaOBrasil e #EstamosComLula. É um ritmo que nenhum ser humano comum conseguiria manter.
Entre os conteúdos mais compartilhados estavam postagens de figuras conhecidas da esquerda, como Lindbergh Farias (PT-RJ), e slogans como “Respeita o Brasil” e “Brasil com S de Soberania”, também impulsionados por canais oficiais do governo federal.
Estratégia ou manipulação?
Para o especialista em comunicação política Marco Aurélio Ruediger, da FGV, essa movimentação sinaliza uma tentativa clara da esquerda de reverter o histórico de apenas “reagir” nas redes. Agora, diz ele, há uma ofensiva mais estruturada:
“A esquerda está tentando assumir o controle da narrativa e ocupar o espaço digital antes dominado pela direita. Com a entrada de Trump na história, o campo governista encontrou uma oportunidade para virar o jogo.”
Já para a pesquisadora Letícia Capone, do Instituto Democracia em Xeque, o efeito pode ser positivo para a imagem pública da esquerda:
“O uso de hashtags ajuda a demonstrar unidade e engajamento. Mesmo que algumas contas sejam automatizadas, o impacto na percepção pública é real.”
No fim das contas, o episódio escancara a nova fase da batalha digital entre governo e oposição. Agora, não basta ter razão — é preciso aparecer nos “trending topics”. E, ao que tudo indica, vale até usar as armas que antes se criticava.