
🎭 Carnaval bancado pelo contribuinte vira palco de denúncia política
Damares leva caso à Comissão de Ética e acusa Freixo de usar dinheiro público para exaltar Lula na Sapucaí
O samba ainda nem ecoou na avenida, mas o barulho político já tomou conta do Carnaval. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) decidiu levar à Comissão de Ética da Presidência uma denúncia contra Marcelo Freixo, atual presidente da Embratur, por autorizar o repasse de recursos públicos para escolas de samba — entre elas, a Acadêmicos de Niterói, que neste ano desfilará com um enredo em homenagem direta ao presidente Lula.
Segundo a senadora, o que está em jogo não é cultura nem turismo, mas o uso da máquina pública para promoção política, algo que, para ela, ultrapassa todos os limites éticos do cargo ocupado por Freixo.
💰 Dinheiro público, palanque privado
Na representação enviada à Comissão de Ética, Damares afirma que o repasse de R$ 1 milhão para cada escola do Grupo Especial, por meio da Liesa, configura favorecimento pessoal e político. Ao todo, o contrato firmado pela Embratur soma R$ 12 milhões — dinheiro que sai do bolso do contribuinte.
A denúncia ganha ainda mais peso com a menção a um ensaio técnico no qual Freixo teria participado vestindo uma camisa estampada com o rosto de Lula. Para a senadora, o gesto não é simbólico: é a confirmação explícita de que o patrocínio ultrapassa a promoção cultural e entra no terreno da campanha antecipada.
Em suas palavras, trata-se de uma “instrumentalização da estrutura do Estado para fins políticos”, algo incompatível com a ética pública e com os princípios básicos da administração.
🧾 Freixo se defende, mas críticas permanecem
Marcelo Freixo reagiu às acusações nas redes sociais, afirmando que o patrocínio da Embratur ao Carnaval tem como objetivo divulgar a imagem do Brasil no exterior, atrair turistas e movimentar a economia. Disse ainda que o valor investido é o mesmo do ano anterior e que estados e prefeituras também colocam recursos no evento.
O argumento, no entanto, não convence críticos. Afinal, quando o dinheiro público banca um desfile que exalta diretamente um presidente em exercício — e o responsável pelo repasse aparece vestindo a camisa do homenageado — a linha entre promoção cultural e propaganda política fica perigosamente borrada.
🏛️ Mérito à fiscalização, alerta à democracia
Independentemente do desfecho jurídico, a iniciativa de Damares coloca luz sobre um ponto essencial: dinheiro público exige vigilância constante. Questionar gastos, cobrar ética e exigir separação clara entre Estado, governo e campanha não é perseguição — é dever institucional.
O Carnaval pode até ser festa, mas as contas públicas não são confete. E quando a avenida vira palanque, alguém precisa puxar o freio. Nesse caso, Damares cumpriu exatamente esse papel.