💸 COP30: Milhões em obras para um evento que ninguém verá

💸 COP30: Milhões em obras para um evento que ninguém verá

Enquanto hospitais e escolas caem aos pedaços, governo despeja quase R$ 700 milhões em porto e aeroporto de Belém — tudo para receber navios-hotel e figurões da conferência do clima.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurou neste sábado (1º) as caríssimas obras do Porto de Outeiro e do Aeroporto Internacional de Belém, dois projetos feitos às pressas e com cifras de deixar qualquer contribuinte de queixo caído. Tudo em nome da COP30, o evento climático da ONU que, ironicamente, promete “salvar o planeta” — mas começa gastando rios de dinheiro em obras que pouca gente da Amazônia vai usar.

Com um investimento de R$ 233 milhões apenas no porto, o governo diz que o novo píer, ampliado de 261 para 716 metros, servirá para receber navios-hotel, embarcações luxuosas que vão hospedar autoridades estrangeiras e assessores internacionais. Afinal, parece que Belém não tinha quartos suficientes para tamanha comitiva de políticos e celebridades ambientais.

Um luxo às margens da pobreza

A escolha do Porto de Outeiro, a 30 quilômetros do centro da cidade, veio depois que a proposta inicial — usar o Porto de Belém — foi abandonada por causa de impasses ambientais. Ou seja, para proteger o meio ambiente, o governo decidiu construir outro porto. A ironia é autoexplicativa.

Enquanto isso, comunidades ribeirinhas próximas ainda vivem sem saneamento, e os moradores da capital enfrentam hospitais sem leitos e escolas caindo aos pedaços. Mas, para o governo, o importante é ter onde ancorar os “navios da sustentabilidade”.

Aeroporto de luxo, voos de poucos

Antes da cerimônia no porto, Lula inaugurou a ampliação do Aeroporto Internacional Júlio Cezar Ribeiro, obra que custou R$ 450 milhões e dobrou a capacidade de atendimento de 7,7 para 13 milhões de passageiros. Um número impressionante — se Belém, de fato, tivesse essa demanda.

O terminal ganhou áreas comerciais, climatização nova, sistema noturno de balizamento e até um espaço multissensorial para pessoas com autismo. São melhorias bem-vindas, claro. Mas, no contexto atual, soam mais como maquiagem de um país que prefere gastar com fachada do que resolver o que apodrece nos bastidores.

Empregos temporários e promessas duradouras

Segundo o governo, as obras geraram 1,5 mil empregos diretos e indiretos — um número pequeno diante do investimento astronômico. É o tipo de dado que enfeita discurso, mas que se desfaz assim que os tapumes são retirados.

Na inauguração, Lula estava ladeado pelos ministros Rui Costa, Marina Silva e Silvio Costa Filho, além do governador Helder Barbalho e do prefeito Igor Normando, todos prontos para posar sob o calor úmido da Amazônia e o brilho dos refletores.

Um palco de bilhões para discursos de minutos

A Cúpula do Clima, marcada para os dias 6 e 7 de novembro, é o ensaio para a COP30, que acontecerá entre 10 e 21 de novembro. Serão dias de discursos sobre sustentabilidade e justiça ambiental — feitos dentro de estruturas erguidas à base de concreto, ferro e muito dinheiro público.

Enquanto isso, o povo paraense assiste de longe, sem lugar nesses navios, sem passagem nesses voos, e sem entender por que o país que prega economia verde continua torrando verde, azul e todas as cores do orçamento.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias
Tags