
💸 Governo na Berlinda: Pressão, Impasses e a Corrida Contra o Tempo
Após polêmica com aumento do IOF, Haddad corre para apresentar solução antes da viagem de Lula. Congresso cobra respostas rápidas.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, esteve nesta segunda-feira (2) no Palácio do Planalto em uma reunião tensa e decisiva com os principais articuladores políticos do governo. Na mesa, o grande desafio: encontrar uma saída para o impasse criado depois que o governo precisou recuar de parte do decreto que elevava o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
O encontro, que acontece toda segunda-feira no quarto andar do Planalto, reuniu nomes de peso, como a ministra Gleisi Hoffmann, que abriu as portas do seu gabinete na Secretaria de Relações Institucionais, além dos líderes do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP). Rui Costa, da Casa Civil, não compareceu pessoalmente, mas enviou um representante.
O clima é de urgência. O governo precisa afinar o discurso político e fechar contas na ponta do lápis para evitar novos desgastes, justamente no meio da crise gerada pela tentativa frustrada de aumentar o IOF. Entre as propostas em debate estão sugestões da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e alternativas apresentadas pela Câmara, que envolvem tanto aumento de receitas quanto cortes de despesas.
👉 Correndo contra o relógio: A expectativa é que Haddad e sua equipe batam o martelo até esta terça-feira (3), antes do embarque do presidente Lula para a França. Antes da reunião no Planalto, Haddad já tinha deixado claro no Ministério da Fazenda que está articulando dois pacotes de medidas com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
— Nós combinamos duas frentes. Primeiro, corrigir distorções no sistema financeiro para abrir espaço e, se for necessário, recalibrar o decreto do IOF. Se houver algum ajuste, será dentro desse processo de correção dos desequilíbrios que existem hoje no setor financeiro — explicou Haddad, sem abrir o jogo sobre quais tributos podem ser alterados.
Ele deixou claro que o prazo é apertado. “O fato de o presidente viajar amanhã à noite significa que temos hoje e amanhã para, junto com as Casas, definir o recorte dessas medidas e apresentar aos três presidentes”, afirmou.
🔥 Crise começou com decreto mal recebido
O estopim desse rolo todo foi no dia 22 de maio. Horas após publicar um decreto que elevava o IOF, o governo foi obrigado a voltar atrás em dois pontos após o mercado reagir mal:
- A taxação sobre envio de dinheiro de fundos nacionais para o exterior.
- O aumento do IOF sobre investimentos de pessoas físicas fora do país.
O recuo foi expressivo. A alíquota que iria subir para 3,5% em fundos no exterior permaneceu zerada. Já no caso de investimentos diretos de brasileiros fora do país, caiu de 3,5% para 1,1%.
Essa mudança, segundo Haddad, abriu um rombo de R$ 2 bilhões na previsão de arrecadação, que inicialmente era de R$ 20,5 bilhões só com o novo IOF.
⚖️ Congresso apertando o cerco
Na semana passada, o presidente da Câmara, Hugo Motta, deixou claro que o Congresso não está disposto a engolir calado. Ele ameaçou suspender os efeitos do aumento do IOF se o governo não apresentasse alternativas em até dez dias. Haddad, sentindo a pressão, prometeu antecipar uma proposta antes desse prazo estourar.
Um jantar entre Haddad, Motta e Alcolumbre, dias atrás, foi crucial para acalmar os ânimos e ganhar fôlego nas negociações.
Agora, a expectativa gira em torno das medidas que serão anunciadas. O governo tenta um equilíbrio delicado entre não desagradar o mercado, não perder apoio no Congresso e ainda manter as contas públicas minimamente organizadas.