
🔒 O que Lula não quer que o Brasil saiba sobre o caso Zambelli
Entre o discurso de transparência e a prática do sigilo: governo esconde documentos sobre a extradição de Carla Zambelli, presa na Itália, e desperta críticas sobre a falta de clareza e o uso político da informação pública.
Enquanto o governo Lula se apresenta como defensor da transparência e do Estado Democrático de Direito, age na surdina quando o assunto é a deputada bolsonarista Carla Zambelli. O Planalto impôs cinco anos de sigilo aos documentos e informações enviados pela Advocacia-Geral da União (AGU) às autoridades italianas e à embaixada brasileira em Roma sobre o processo de extradição da parlamentar, presa na Itália desde julho.
Zambelli, uma das vozes mais fiéis ao bolsonarismo, foi condenada a 10 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento na invasão hacker do sistema do Conselho Nacional de Justiça. Fugiu do Brasil em maio, cruzou a fronteira pela Argentina e acabou detida na Europa, onde acreditava estar fora do alcance da Justiça brasileira.
Agora, o governo que tanto criticou os sigilos de Bolsonaro faz o mesmo — e com as mesmas justificativas. Em resposta a um pedido via Lei de Acesso à Informação, a AGU alegou que os documentos sobre o caso dizem respeito à “estratégia jurídica de defesa dos interesses do Estado brasileiro”. Na prática, é mais um muro levantado entre o poder público e o direito do cidadão de saber o que é feito em seu nome.
A decisão de esconder os detalhes da atuação da AGU foi criticada por especialistas em transparência. “Os advogados públicos trabalham para o povo, não para um cliente privado. Eles devem prestar contas ao cidadão”, afirma Juliana Sakai, diretora da Transparência Brasil.
Mesmo assim, o governo preferiu o silêncio — o mesmo silêncio que Lula tanto condenava quando o adversário era Bolsonaro. O caso Zambelli virou um símbolo do duplo padrão: quando o sigilo serve aos seus, é “estratégia jurídica”; quando protege os outros, é “atentado à democracia”.
O parecer da Procuradoria-Geral da Itália deve sair em breve, mas os brasileiros só conhecerão os bastidores desse processo daqui a cinco anos — se é que conhecerão. Até lá, o governo tenta manter a história trancada a sete chaves, longe dos olhos de quem paga a conta.
Trecho de repúdio:
É revoltante ver um governo que prometeu transparência repetir os mesmos vícios que condenava. O sigilo sobre o caso Zambelli não é apenas uma contradição política — é um desrespeito ao princípio básico da democracia: o direito de o povo saber o que o Estado faz em seu nome.