
🚨 Indiciados por homicídio: sócios de academia em SP são responsabilizados após morte de professora
Polícia aponta negligência, possível manipulação da cena e uso irregular de produtos químicos em piscina
O que era para ser apenas mais uma aula de natação terminou em tragédia. A Polícia Civil de São Paulo indiciou, nesta quarta-feira (11), os três sócios da academia C4 Gym, na região de São Lucas, zona leste da capital, pela morte da professora Juliana Bassetto, de 27 anos.
Juliana passou mal durante a atividade no último sábado (7). Saiu da piscina visivelmente debilitada, precisou sentar-se no chão e chamou a atenção de quem estava por perto. O socorro foi acionado, mas ela não resistiu. Outras quatro pessoas que participavam da mesma aula também passaram mal e seguem hospitalizadas.
☣️ Suspeita de gases tóxicos na piscina
A principal linha de investigação aponta que a professora pode ter sido exposta a gases tóxicos formados a partir da mistura de produtos químicos usados na limpeza da piscina.
O funcionário responsável pela manipulação das substâncias, Severino Silva, de 43 anos, não tem formação técnica para exercer a função. Em depoimento, ele afirmou que seguia orientações dos próprios donos da academia, recebidas por mensagens de celular, sobre como fazer a mistura e qual dosagem utilizar.
Segundo a polícia, há indícios de que diferentes tipos de cloro — ou até produtos incompatíveis — tenham sido combinados, o que pode provocar uma reação química perigosa e liberar gases altamente tóxicos.
⚖️ Delegado fala em descaso e tentativa de interferência
No pedido de indiciamento enviado ao Ministério Público, o delegado Alexandre Bento, do 42º DP (São Lucas), foi direto ao apontar falhas graves na conduta dos proprietários — Cesar Bertolo Cruz, Celso Bertolo Cruz e Cezar Miquelof Terração.
De acordo com ele, além de não prestarem auxílio adequado às vítimas, os sócios teriam tentado alterar o ambiente após o ocorrido.
“No mesmo momento em que os médicos confirmavam a morte de Juliana no hospital, um dos sócios orientava um funcionário a ir até a academia para dissipar os gases e modificar a cena”, relatou o delegado.
Para a investigação, os empresários assumiram o risco ao permitir que uma pessoa sem qualificação técnica manuseasse produtos perigosos, supostamente com o objetivo de reduzir custos.
O delegado também afirmou que, ao serem informados sobre o que estava acontecendo, os sócios demonstraram “completa impassividade” e teriam priorizado o fechamento do estabelecimento em vez de prestar suporte às vítimas.
A defesa dos indiciados ainda não havia se manifestado até a última atualização do caso.
🔎 Ministério Público amplia investigação
O Ministério Público de São Paulo abriu um inquérito civil para apurar não apenas o caso específico da unidade onde ocorreu a morte, mas toda a rede de academias C4 Gym, que atua no modelo de franquias.
A Promotoria quer saber se as unidades funcionam com o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), documento que comprova que o prédio atende às normas de segurança contra incêndio e pânico.
Há indícios de que algumas franquias possam operar sem a documentação obrigatória.
🚫 Academia interditada
Após o episódio, a Subprefeitura de Vila Prudente interditou a unidade onde ocorreu a tragédia. O local apresentava, segundo as autoridades, condições precárias de segurança e problemas relacionados à licença de funcionamento.
Outro ponto considerado “nebuloso” pela investigação é a existência de dois CNPJs vinculados ao mesmo endereço — um com documentação regular e outro sem a devida licença.
🧪 Laudos ainda são aguardados
A polícia agora aguarda os resultados do laudo necroscópico de Juliana, além das análises periciais realizadas na academia e exames químicos da água da piscina e dos produtos utilizados.
Os documentos serão fundamentais para confirmar oficialmente a causa da morte e das internações.
Enquanto isso, o caso levanta um alerta duro sobre responsabilidade, segurança e o custo da negligência. Uma rotina comum virou tragédia — e agora a Justiça terá a palavra final.