
A batalha da anistia: oposição diz ter 300 votos, governo aposta em virada
Câmara vive expectativa de embate decisivo sobre perdão a golpistas; inclusão de Bolsonaro pode mudar tudo
Em Brasília, o clima é de contagem de votos e tensão nos bastidores. A oposição garante ter mais de 300 parlamentares dispostos a apoiar a urgência da proposta de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Já a base de Lula insiste que ainda há fôlego para barrar o movimento, em uma disputa voto a voto.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), avalia pautar a proposta nesta semana, decisão que deve sair após reunião com líderes. Para aprovar a urgência, são necessários 257 votos, mas o jogo muda se o texto incluir o nome de Jair Bolsonaro. Nesse caso, até oposicionistas admitem que a aprovação ficaria bem mais difícil.
Os cálculos variam. Enquanto aliados do PL projetam algo entre 320 e 330 votos, governistas apostam que a condenação recente de Bolsonaro pode afastar apoios e reduzir a força do bolsonarismo no plenário. O Centrão, por sua vez, segue calculando cada detalhe: se a anistia for apenas para manifestantes, o cenário é um; se envolver Bolsonaro, é outro.
No Senado, o presidente Davi Alcolumbre (União-AP) já sinalizou um caminho alternativo: nada de anistia ampla, mas possibilidade de reduzir penas. O texto “meio-termo” pode ganhar espaço, embora a oposição, liderada por Flávio Bolsonaro, insista no perdão total, incluindo o ex-presidente condenado por tentativa de golpe.
Enquanto isso, partidos de centro, como Republicanos e PSD, são pressionados para se posicionar. O jogo é de alto risco: cada voto vai pesar numa disputa que coloca em xeque não só o futuro de Bolsonaro, mas também a relação entre Congresso, governo e STF.