A Caçada Sem Fim: Moraes mira Ramagem e transforma a Justiça em perseguição política

A Caçada Sem Fim: Moraes mira Ramagem e transforma a Justiça em perseguição política

Mesmo nos EUA, deputado enfrenta nova investida enquanto PF e PGR admitem: extradição é improvável e processo está manchado por contornos políticos

A novela de perseguições comandadas pelo ministro Alexandre de Moraes ganhou mais um capítulo. Agora, o alvo é o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), que deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos para escapar da prisão decretada após sua condenação pelo STF. E, segundo avaliação da própria Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República, o caminho para trazê-lo de volta ao país é cheio de obstáculos — muitos deles criados justamente pela natureza política da condenação.

Nos bastidores, autoridades admitem: a situação de Ramagem é muito mais complicada que a da também deputada Carla Zambelli, que responde por crime comum relacionado ao ataque hacker ao CNJ. No caso dele, porém, até os investigadores reconhecem que o processo envolve acusação de “crime político”, o que já abre uma barreira legal contra extradições.

Ramagem foi sentenciado a 16 anos e um mês de prisão, acusado de agir politicamente — à frente da Abin — para “descredibilizar o processo eleitoral”. Mas quando a ordem de prisão chegou, ele já estava fora do país. Segundo a PF, fugiu durante o julgamento, cruzou a fronteira pela Guiana e embarcou para Miami, onde vive atualmente com a família.

Enquanto isso, Moraes segue ampliando sua influência internacional de forma negativa. O governo Trump, que já impôs sanções da Lei Magnitsky contra o ministro e sua esposa, tem reiterado duras críticas ao processo conduzido pelo STF. Marco Rubio, secretário de Estado, chamou Moraes de “abusador de direitos humanos”. O vice do Departamento de Estado, Christopher Landau, classificou a prisão de Bolsonaro como “provocativa e desnecessária”, afirmando que o ministro politizou descaradamente o Judiciário.

Com esse cenário, fontes da PF são categóricas: “A chance de Ramagem ser processado ou extraditado pelos EUA é zero.” Para Washington, trata-se de um caso com forte viés político, e o governo norte-americano não vai endossar o que enxerga como arbitrariedade.

Já o Ministério Público italiano, ao tratar de Zambelli, afirmou que não há perseguição política em seu caso — justamente por ser crime comum com provas robustas. O oposto do que ocorre com Ramagem, cuja condenação está diretamente ligada ao clima político brasileiro.

A rota de fuga do deputado foi rápida: chegou a Boa Vista na noite de 9 de setembro, quando Moraes apresentava seu voto condenatório, cruzou a fronteira para a Guiana no dia seguinte e, no dia 11, já estava aterrissando em Miami com passaporte diplomático.

O episódio expõe novamente um Judiciário que ultrapassa limites e transforma adversários políticos em inimigos pessoais. A perseguição implacável conduzida por Moraes já colocou o Brasil sob desconfiança internacional — e, ao que tudo indica, continuará fazendo vítimas enquanto a balança da Justiça permanecer desequilibrada.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias
Tags