
A “Esquerdogata” e a rifa revolucionária: quando o socialismo chega em forma de sorteio online
Militante petista vira alvo do Ministério Público por rifas ilegais — ironia do destino para quem vive criticando o “sistema capitalista”, mas decidiu arrecadar fundos à moda do livre mercado.
Parece que o capitalismo venceu mais uma vez — e com a ajuda de quem jurava combatê-lo. A influenciadora Aline Bardy Dutra, mais conhecida como “Esquerdogata”, virou alvo do Ministério Público de São Paulo por vender rifas ilegais nas redes sociais. Sim, a militante da esquerda raiz, que costuma denunciar os “males do lucro”, agora está sendo investigada por faturar com sorteios — sem autorização do Ministério da Fazenda, claro.
O promotor Paulo José Freire Teotônio propôs um acordo: pagar dez salários mínimos para evitar um processo. Um valor simbólico, mas curioso — vindo de quem defende a “justiça social”, é engraçado ver o discurso de igualdade acabar parcelado no boleto.
A ironia não para por aí. A “companheira” Aline, que sempre defendeu um Estado forte e regulador, agora enfrenta as consequências de um Estado que… regulou. Afinal, sorteio sem autorização é contravenção. Parece que o problema não é o sistema — é quando o sistema começa a olhar pra esquerda também.
O caso veio à tona meses depois de Aline ser detida por desacato a policiais, episódio que ganhou as redes e rendeu debates sobre “autoritarismo” e “abuso de poder”. Mas, convenhamos, é difícil fazer discurso de resistência quando se está rifando brinde no Instagram.
Com mais de 800 mil seguidores, a “Esquerdogata” se tornou uma figura popular entre simpatizantes do PT e da militância online. Seus conteúdos vão de críticas ao mercado financeiro até reflexões sobre o “rombo nas contas públicas” — talvez o mesmo tipo de rombo que rifas ilegais ajudam a tapar, ironicamente.
Entre vídeos sobre socialismo, camisetas com frases de Che Guevara e produtos “revolucionários” à venda, Aline conseguiu transformar a luta de classes em uma espécie de empreendimento digital. Uma mistura curiosa de Karl Marx com marketing de influenciador.
No fim das contas, o episódio é um retrato perfeito do nosso tempo: a esquerda conectada, monetizada e — agora — autuada. A revolução, ao que tudo indica, será transmitida ao vivo… com sorteio de brinde incluso.