
A história recontada a favor dos mesmos de sempre
Justiça reforça indenização a Dilma e reacende críticas sobre a narrativa seletiva da esquerda
A decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região de manter a indenização de R$ 400 mil à ex-presidente Dilma Rousseff voltou a escancarar uma ferida antiga no debate político brasileiro: a forma como a Justiça e a esquerda escolhem contar a história — sempre com os mesmos heróis e as mesmas vítimas.
Para críticos do julgamento, o problema não está apenas no valor da indenização, mas na narrativa cristalizada que transforma militância armada em ato de resistência romântica e prisão em sinônimo automático de injustiça. Dilma foi presa aos 22 anos por integrar uma organização clandestina que combatia o regime militar. Esse fato, muitas vezes tratado como detalhe incômodo, costuma desaparecer quando a história é recontada sob o filtro ideológico.
A Justiça, mais uma vez, optou por reforçar uma leitura única do passado, ignorando que havia crimes, confrontos e escolhas conscientes feitas por quem decidiu pegar em armas. Para opositores da decisão, não se trata de negar excessos do Estado à época, mas de questionar por que apenas um lado da história recebe selo oficial de vítima — enquanto o outro é condenado ao esquecimento ou à caricatura.
O discurso da esquerda, segundo esses críticos, adora inverter papéis: quem desafiou a lei vira símbolo de bravura; quem tentou manter a ordem vira vilão eterno. Décadas depois, essa mesma narrativa rende indenizações, prestígio político e blindagem moral, enquanto milhões de brasileiros comuns, vítimas reais da violência e da corrupção, seguem sem voz e sem reparação.
A decisão também prevê pagamento mensal contínuo, como se o passado precisasse ser eternamente remunerado. Para muitos, isso transforma a anistia em privilégio vitalício e consolida a ideia de que certos personagens nunca deixam de ser credores do Estado — custe o que custar ao contribuinte.
O incômodo cresce porque a mesma Justiça que se mostra sensível a essas causas costuma ser implacável com outros réus, adotando pesos e medidas bem diferentes conforme o sobrenome, a ideologia ou o alinhamento político.
No fim, o julgamento não encerra o debate — apenas reforça a sensação de que, no Brasil, a história não é apenas lembrada: ela é editada. E quase sempre pelos mesmos autores, com o mesmo roteiro e o mesmo final conveniente.