
“A Justiça Brasileira Não Está à Venda”, afirma ministro da AGU após ameaças de Trump
Em artigo no New York Times, Jorge Messias critica tarifas impostas pelos EUA e repudia tentativa de interferência estrangeira no julgamento de Bolsonaro
O ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, subiu o tom em defesa da soberania brasileira diante das recentes declarações do ex-presidente Donald Trump. Em um artigo publicado no The New York Times, Messias reagiu às ameaças e tarifas anunciadas pelo republicano, que ligou as punições comerciais à condução dos processos judiciais contra Jair Bolsonaro, especialmente os que envolvem os atos golpistas de 8 de Janeiro.
“Trump afirmou que as tarifas aplicadas ao Brasil estão diretamente relacionadas ao julgamento do ex-presidente Bolsonaro. Como advogado-geral da União, é meu dever declarar com firmeza que o governo brasileiro rejeita totalmente qualquer tipo de interferência externa no funcionamento da nossa Justiça”, escreveu Messias.
A crítica do ministro surge em um momento delicado para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Os Estados Unidos, sob a influência do trumpismo, vêm adotando medidas comerciais que afetam setores estratégicos da economia brasileira — e o tom político dessas ações acendeu o alerta em Brasília.
No artigo, Messias não se limita a rebater Trump. Ele reforça que cabe exclusivamente às instituições brasileiras julgar os responsáveis pelos ataques ao Estado Democrático de Direito. Segundo ele, o 8 de Janeiro foi um episódio grave que exigiu resposta firme das autoridades, e qualquer tentativa de deslegitimar esse processo equivale a afrontar a soberania nacional.
“Não há espaço para intimidação. Nenhum país, por mais poderoso que seja, pode ditar os rumos da Justiça em outra nação. A democracia brasileira enfrentou um teste e está respondendo com legalidade e responsabilidade institucional”, pontuou o ministro.
Com a escalada da crise comercial e diplomática entre os dois países, o governo Lula busca manter o equilíbrio, mas também sinaliza que não aceitará pressões que confundam comércio internacional com ingerência política.