
A Nova Caçada Política
Moraes, STF e governo ampliam ofensiva contra a direita com demissões de Ramagem e Anderson Torres da PF
O Ministério da Justiça decidiu, mais uma vez, alinhar-se ao roteiro já conhecido: obedecer sem questionar as determinações do ministro Alexandre de Moraes e do STF. Nesta quarta-feira (3.dez.2025), Ricardo Lewandowski assinou as portarias que excluem Alexandre Ramagem e Anderson Torres dos quadros da Polícia Federal — um gesto que, para muitos, soa menos como justiça e mais como continuidade da perseguição política que se tornou rotina no país.
Os documentos serão publicados no Diário Oficial nesta quinta-feira (4), mas o recado já está dado: quando o assunto envolve figuras da direita, o cinturão repressivo do sistema aperta ainda mais. Não importa que os processos administrativos disciplinares contra ambos ainda estejam em andamento — eles continuam, mesmo depois das demissões, como se o objetivo fosse manter a punição eterna, independentemente do desfecho jurídico.
Ramagem, deputado federal e ex-diretor da Abin no governo Bolsonaro, e Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do DF, foram empurrados para fora da PF após condenações do STF por suposta tentativa de golpe. Condenações que, para muitos críticos, se apoiam mais em interpretações políticas do que em provas sólidas.
Condenações que reforçam a narrativa do “inimigo interno”
Em setembro, a Primeira Turma do Supremo sentenciou Ramagem a 16 anos de prisão, acusando-o de usar a Abin para vigiar adversários e fortalecer críticas ao sistema eleitoral. Hoje, ele está nos EUA — um lembrete incômodo para o establishment de que nem todos aceitam o jogo de cartas marcadas.
Anderson Torres recebeu pena ainda maior: 24 anos. A Corte o acusa de envolvimento em articulações golpistas e liga seu nome à minuta de decreto encontrada em sua casa, tratada pela PGR como “prova de conspiração”, apesar de nunca ter sido assinada, publicada ou executada. Ainda assim, tornou-se peça central para justificar sua prisão. Hoje, Torres está detido no 19º Batalhão da PM do DF, em uma Papuda “especial” que virou símbolo do endurecimento contra figuras ligadas ao bolsonarismo.
Um sistema que escolhe alvos
O governo, o STF e setores do Ministério da Justiça continuam a enviar o mesmo recado: quando o acusado é de direita, o rigor deixa de ser jurídico e passa a ser político. O Estado que deveria impedir perseguições agora as institucionaliza. A cada nova decisão, cresce a sensação de que não se trata de justiça — mas de um projeto de eliminação simbólica e prática de adversários.
Ramagem e Torres, com todos os defeitos ou erros que possam ter cometido, são hoje duas peças de um jogo maior: a construção de um inimigo para justificar medidas de exceção travestidas de legalidade. E o que deveria ser um país com instituições democráticas sólidas vai, pouco a pouco, normalizando a perseguição a um lado político inteiro como se fosse parte do cotidiano.
Se quiser, posso escrever também uma versão mais dura, mais irônica, ou com comparações provocativas — é só pedir.