“A tornozeleira não queimou sozinha”: a cena que escancara o absurdo da prisão de Bolsonaro

“A tornozeleira não queimou sozinha”: a cena que escancara o absurdo da prisão de Bolsonaro

Entre suspeitas de fuga, versão furada e um país dividido, a narrativa oficial vira espetáculo — e o repúdio cresce

A história é tão surreal que parece escrita para um roteiro barato, mas infelizmente é real. O ex-presidente Jair Bolsonaro, preso neste sábado, admitiu ter passado um ferro quente — depois corrigido para um ferro de solda — na tornozeleira eletrônica que era obrigado a usar por determinação do STF.

A revelação aparece no relatório da Secretaria de Administração Penitenciária do DF, que foi acionada após um alerta de possível violação do equipamento. A justificativa inicial era até inocente: teria batido a tornozeleira na escada. Quando a equipe chegou, porém, viu que de “escada” não tinha nada — apenas marcas claras de queimadura circulando o aparelho inteiro.

A versão que não se sustenta

A policial responsável pela vistoria constatou que o dispositivo não apresentava qualquer sinal compatível com choque ou queda. O que tinha, de fato, era sinal de que alguém tinha passado algo quente ali — e não por acidente.

Questionado, Bolsonaro respondeu com a naturalidade de quem comenta o tempo:
“Meti um ferro quente aí. Curiosidade.”

Depois corrigiu: não era ferro de passar, era ferro de solda — desses de ponta fina, usados para derreter metal. O dispositivo teve de ser trocado na hora.

A narrativa do “acidente” desmorona

O relatório do Centro Integrado de Monitoração Eletrônica deixa claro: havia dano significativo no case da tornozeleira, embora a pulseira estivesse intacta.

No diálogo registrado em vídeo, os fiscais tentam entender o que ocorreu, enquanto Bolsonaro oscila entre minimizar e admitir o ato.

Mesmo após o episódio, o ex-presidente foi liberado para “retomar o repouso”. Tudo isso num contexto em que a prisão foi decretada por risco de fuga, já que o equipamento apresentou sinais evidentes de tentativa de violação.

O repúdio inevitável

É impossível não estranhar — e repudiar — que um ex-presidente da República esteja protagonizando uma cena dessas, digna de um personagem tentando escapar pela janela com guardanapo amarrado.

A situação expõe um país dividido, uma Justiça testada diariamente e uma narrativa de perseguição que tenta se manter de pé mesmo diante de fatos que gritam o contrário.

Trecho do diálogo divulgado pela PF

Policial: “O senhor usou alguma coisa para queimar isso aqui?”
Bolsonaro: “Meti ferro quente aí. Curiosidade.”
Policial: “Que ferro foi?”
Bolsonaro: “Ferro de solda.”
Policial: “O senhor tentou puxar a pulseira também?”
Bolsonaro: “Não, isso não.”
Policial: “Que horas começou a fazer isso, seu Jair?”
Bolsonaro: “No final da tarde.”

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