Absolvido, mas ainda preso à tornozeleira: a saga de um jovem autista do 8 de Janeiro

Absolvido, mas ainda preso à tornozeleira: a saga de um jovem autista do 8 de Janeiro

Dois meses após decisão judicial, Jean de Brito segue monitorado eletronicamente por falhas da Justiça

O catador de recicláveis Jean de Brito da Silva, de 28 anos, diagnosticado com autismo, foi absolvido no dia 1º de março deste ano, mas ainda carrega no tornozelo a marca física de um processo que já deveria estar encerrado: a tornozeleira eletrônica.

De acordo com a defesa, o equipamento teria que ter sido retirado em 17 de março, mas, até agora, nada foi feito. Os advogados Sílvia Giraldelli e Robson Dupim afirmam que, após a decisão definitiva, o fórum de Juara (MT) ou a Cadeia Pública do município deveriam ter recebido a ordem judicial para remover o aparelho. Mesmo com pedido formal feito em abril, não houve resposta.

A situação de Jean lembra outro caso revelado em 2024: o de Wagner de Oliveira, ex-morador de rua de 50 anos, que também permaneceu meses com tornozeleira mesmo após ter sido absolvido. Ele frequentava o acampamento no QG do Exército em Brasília apenas para conseguir comida.

Na época, só depois de uma denúncia pública a Defensoria Pública da União e o ministro Alexandre de Moraes autorizaram a retirada do monitoramento.

Agora, a história parece se repetir: pessoas consideradas inocentes pela Justiça continuam sendo tratadas como criminosas, vítimas de uma máquina judicial lenta e desumana, que não consegue cumprir nem a sua própria decisão.

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