Acusado pelo 8 de Janeiro interrompe Gilmar Mendes e desabafa: “Não sou terrorista, sou um refugiado político”

Acusado pelo 8 de Janeiro interrompe Gilmar Mendes e desabafa: “Não sou terrorista, sou um refugiado político”

Simon Castro, que responde a 16 acusações ligadas aos ataques em Brasília, quebrou o silêncio de um fórum na Argentina para defender sua inocência e denunciar o que chama de “farsa judicial” no Brasil.

A cena foi inesperada. Em meio à fala solene do ministro Gilmar Mendes, durante o Fórum de Buenos Aires, um homem se levantou no auditório e pediu a palavra — com a voz embargada, mas firme. Era Simon Castro, um dos acusados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, agora vivendo na Argentina.

Não há provas contra mim. Muitos erraram, sim, e esses devem pagar. Mas eu, Gilmar, não. Eu não invadi prédio algum”, declarou, enquanto parte da plateia assistia em silêncio absoluto.

O ministro do STF permaneceu impassível, sem reagir às palavras do brasileiro que se apresentou como “refugiado político”. Para Simon, o que há por trás das acusações é uma injustiça travestida de justiça.

“No Brasil não há direito à defesa. Eles simplesmente agem e não deixam a gente se defender, essa é a grande verdade”, disse ele, em tom de desabafo.

Simon Castro afirma responder a 16 acusações criminais, incluindo terrorismo e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, mas nega qualquer envolvimento com vandalismo ou violência. Segundo ele, o processo é político e o transformou em um “inimigo público” por convicção, não por atos.

Sou um dos refugiados aqui na Argentina e agradeço por me ouvir. Isso é democracia: poder falar, poder existir sem medo”, afirmou, recebendo alguns olhares solidários e outros de desconforto.

Após o episódio, Castro se aproximou de jornalistas para reforçar sua versão. Mostrou uma foto antiga com o próprio Gilmar Mendes e, com um tom entre o cansaço e a revolta, resumiu sua situação:

“Se eu fosse criminoso, estaria armado. Não sou terrorista, como dizem. Sou apenas alguém que não teve o direito de se defender.”

Desde o início do evento, outros brasileiros exilados têm tentado se aproximar da imprensa e dos participantes para denunciar o que chamam de “ditadura do STF”. Para Simon, o silêncio e o exílio são hoje o preço da sobrevivência.

Enquanto o Fórum retomava seu ritmo, o eco daquelas palavras continuava a pairar no ar — um grito isolado de quem se diz sem voz diante de um tribunal que, segundo ele, já o condenou antes mesmo do julgamento.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias
Tags