
Alckmin desafina e admite possível acordo com EUA por minerais estratégicos
Enquanto Lula diz que “ninguém põe a mão” nas riquezas do Brasil, seu vice sinaliza abertura para negociar com os norte-americanos e tentar barrar tarifa de Trump
O vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, contrariou abertamente o discurso do presidente Lula ao admitir que o Brasil não descarta colocar minerais críticos na mesa de negociações com os Estados Unidos. A intenção seria tentar reverter a tarifa de 50% anunciada por Donald Trump, prevista para entrar em vigor no início de agosto.
Durante uma conversa com jornalistas na noite de quinta-feira (24), Alckmin revelou ter mantido um diálogo de cerca de 50 minutos com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick. Segundo ele, o Brasil está aberto a conversas e a explorar possibilidades — o que pode incluir recursos estratégicos como lítio, nióbio e terras raras, tão cobiçados pelo mercado internacional.
A fala do vice, no entanto, bate de frente com o que Lula declarou horas antes em Minas Gerais. Em tom firme, o presidente mandou um recado direto a Washington: “aqui ninguém põe a mão”. Ele destacou que o Brasil tem riquezas que precisam ser protegidas — da floresta amazônica aos minérios valiosos — e cobrou respeito do governo norte-americano.
“Temos petróleo, ouro, os minerais que vocês querem. A única coisa que peço é que respeitem o povo brasileiro como eu respeito o povo americano”, disse Lula.
A tensão entre os discursos escancara um descompasso no alto escalão do governo. Alckmin, mais pragmático, parece disposto a negociar para evitar impactos econômicos severos com as novas tarifas. Já Lula, em defesa da soberania nacional, faz questão de manter a postura dura diante da pressão estrangeira.
A fala de Alckmin também ecoa o interesse já declarado por autoridades dos EUA, como o encarregado de negócios Gabriel Escobar, que reconheceu o valor estratégico dos minerais brasileiros em áreas como transição energética, defesa e indústria de alta tecnologia.
Minas Gerais, estado onde Lula discursou e Alckmin se reuniu com empresários, é justamente um dos principais polos de mineração do país — o que torna o debate ainda mais sensível e estratégico para o futuro da economia nacional.