Aliado de banqueiro investigado permanece em estado grave após tentativa de suicídio

Aliado de banqueiro investigado permanece em estado grave após tentativa de suicídio

Defesa afirma que não houve morte cerebral de Luiz Phillipi Mourão, apontado pela investigação como operador de intimidações ligadas ao empresário Daniel Vorcaro.

Defesa contesta informação sobre morte cerebral

O caso envolvendo Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido pelo apelido de “Sicário”, ganhou novos desdobramentos nesta semana. Segundo a defesa do investigado, não procede a informação de que ele teria morte cerebral. O advogado afirmou que Mourão continua internado em estado grave em um hospital da capital mineira.

Ele está hospitalizado no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, onde permanece na unidade de terapia intensiva. De acordo com boletim médico citado pela defesa, o quadro clínico é considerado crítico, mas ainda não há indicação para abertura de protocolo de morte encefálica.

A versão apresentada pelos advogados contraria informações iniciais que circularam após a prisão do investigado, quando fontes ligadas à Polícia Federal chegaram a indicar que ele teria falecido.

Tentativa de suicídio ocorreu após prisão

As investigações apontam que Mourão teria tentado tirar a própria vida pouco tempo depois de ser detido em uma operação policial. Segundo apurações, ele teria tentado se enforcar utilizando a própria camisa enquanto estava sob custódia na sede da Polícia Federal em Minas Gerais.

Agentes que estavam no local prestaram socorro imediato e iniciaram procedimentos de reanimação até a chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), responsável por levá-lo ao hospital.

Desde então, ele permanece hospitalizado sob cuidados intensivos.

Investigação aponta papel central em esquema de intimidação

De acordo com a Polícia Federal, Mourão exerceria uma função estratégica dentro de um grupo investigado por intimidação, monitoramento e pressão contra pessoas consideradas adversárias do empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Nas apurações, ele aparece como coordenador de um núcleo informal responsável por vigiar, coletar informações e acompanhar movimentos de jornalistas, ex-funcionários e críticos do banco.

O apelido “Sicário”, que significa alguém contratado para executar ações violentas ou de intimidação, teria sido associado a ele durante as investigações.

Pagamentos milionários e grupo informal

Relatórios da Polícia Federal indicam que Mourão receberia cerca de R$ 1 milhão por mês para executar tarefas determinadas pelo empresário investigado. Ele também teria liderado um grupo informal chamado “A Turma”, responsável por diferentes operações de pressão.

Entre as atividades atribuídas ao grupo estariam:

  • monitoramento de pessoas consideradas adversárias;
  • coleta de dados pessoais e informações sensíveis;
  • acompanhamento presencial de alvos;
  • tentativas de retirar conteúdos críticos da internet.

Segundo os investigadores, o grupo também teria enviado mensagens que simulavam pedidos oficiais de órgãos públicos para exigir a remoção de reportagens e perfis em plataformas digitais.

Conversas e documentos reforçam suspeitas

Mensagens analisadas pela Polícia Federal revelariam trocas de informações entre Mourão e Vorcaro, incluindo dados pessoais de pessoas que estariam sendo monitoradas.

Em alguns diálogos, investigadores afirmam que aparecem orientações para pressionar indivíduos ligados a disputas envolvendo o banco.

Esses elementos fazem parte de um conjunto maior de provas analisadas pelas autoridades, que tentam esclarecer até que ponto a rede de vigilância e intimidação teria sido organizada e financiada.

Caso segue sob investigação

Enquanto Mourão permanece internado em estado grave, a investigação continua avançando para esclarecer o papel de cada integrante do grupo investigado.

O caso ganhou repercussão nacional por envolver denúncias de perseguição, espionagem privada e pressões contra jornalistas e críticos, além da ligação com figuras do sistema financeiro.

As autoridades agora analisam documentos, mensagens e depoimentos para entender a extensão das atividades atribuídas ao grupo e possíveis responsabilidades criminais.

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