Aliados de Bolsonaro ironizam encontro entre Lula e Trump

Aliados de Bolsonaro ironizam encontro entre Lula e Trump

Bolsonaristas dizem que menção ao ex-presidente causou desconforto em Lula durante reunião na Malásia

O encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump em Kuala Lumpur, na Malásia, rendeu mais do que fotos e diplomacia. Nas redes sociais, aliados de Jair Bolsonaro (PL) aproveitaram a ocasião para ironizar o presidente brasileiro e insinuar que ele teria ficado visivelmente incomodado quando o ex-presidente americano mencionou Bolsonaro durante a conversa.

O foco oficial da reunião era discutir as tarifas impostas pelos Estados Unidos às exportações brasileiras. Mas, antes de entrar nos temas econômicos, Trump respondeu a jornalistas dizendo que “sempre gostou” de Bolsonaro e que se sentiu mal com o que o ex-presidente brasileiro passou. “Sempre achei que ele era um cara honesto, mas ele enfrentou muita coisa”, afirmou.

Lula reagiu apenas com um sorriso discreto, e, segundo fontes do governo, o nome de Bolsonaro não voltou a ser mencionado na parte reservada do encontro.

“O corpo fala”, dizem opositores

Nas redes, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) foi um dos primeiros a ironizar o episódio. “Lula encontra Trump e, na mesa, o assunto que claramente incomoda o ex-presidiário: Bolsonaro. Imagine o que trataram a portas fechadas?”, escreveu no X (antigo Twitter).

Hélio Lopes (PL-RJ), outro aliado próximo do ex-presidente, publicou apenas: “O corpo fala”, sugerindo que o desconforto de Lula seria evidente.

Já o deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO) foi além e afirmou que Trump teria chamado Bolsonaro de “grande homem” diante de Lula — algo que, na verdade, não aconteceu publicamente. “Na cara do Lula, Trump rasga elogios a Bolsonaro. Parece que a reunião não saiu como o Barbudinho esperava”, escreveu.

Evair de Melo (PP-ES) também ironizou o encontro, classificando-o como “um fiasco”. “Depois de quase dois anos bajulando ditadores e isolando o Brasil, Lula finalmente se senta com Trump — e o resultado? Nenhum. Só uma foto pra inglês ver”, afirmou.

E Trump na jogada?

Para Bibo Nunes (PL-RS), o verdadeiro objetivo de Trump seria tentar afastar o Brasil da influência da China. “Trump pode negociar com Lula na economia, mas jamais vai ceder no campo ideológico”, disse o deputado.

Eduardo Bolsonaro, por sua vez, seguiu com as provocações. Em novas postagens, sugeriu que há “empatia” entre Trump e seu pai e ironizou: “Quando Trump deixar o poder, Lula e sua turma vão apoiar a lawfare que ele certamente sofrerá”.

Segundo o deputado, Lula desperdiçou tempo ao tratar da crise entre os Estados Unidos e a Venezuela em vez de aproveitar a conversa para abordar temas mais relevantes para o Brasil.

O encontro, que deveria marcar uma aproximação diplomática, acabou se transformando em combustível político para os bolsonaristas — e em mais um episódio de embate simbólico entre Lula e Bolsonaro, ainda que um deles nem estivesse na sala.

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