
“Alojadas em Cocheiras”: Mulheres Negras Denunciam Tratamento Desumano em Brasília
Participantes de Santa Catarina dizem ter sido colocadas em um estábulo durante a Marcha das Mulheres Negras; relatos falam em descaso, humilhação e violência simbólica
O que deveria ser um momento de união, luta e visibilidade se transformou em indignação profunda. Mulheres negras de Santa Catarina denunciaram que foram alojadas em baias de cavalo durante a Marcha das Mulheres Negras, em Brasília.
Segundo os relatos, o grupo foi enviado para um espaço na Granja do Torto que, apesar de coberto com feltros e serragem para disfarçar, era claramente um estábulo.
“Quando chegamos, ficou evidente: era uma baia. Uma cocheira!”, contou uma das participantes, revoltada com o que classificou como puro desrespeito. Outra mulher descreveu o sentimento de humilhação: “Colocaram serragem como se nós não fôssemos perceber”.
“A escravidão nunca acabou”, desabafam participantes
O impacto emocional foi imediato. Muitas mulheres expressaram dor e revolta diante da situação, que interpretaram como um gesto simbólico de violência e desumanização.
“A escravidão nunca acabou”, disse uma das participantes, emocionada. Outra foi ainda mais contundente: “Isso aqui é a senzala do século 21”.
Os relatos repercutiram entre coletivos, movimentos sociais e veículos de comunicação, que enxergaram no episódio um retrato doloroso da desigualdade e do racismo estrutural ainda presentes no país.
Indignação que ecoa além do evento
O caso, divulgado pela Rádio Educadora em parceria com o Jornal Razão, acendeu um debate nacional sobre a forma como políticas públicas e organizações tratam delegações de mulheres negras — justamente aquelas que todos os anos marcham para denunciar desigualdades, violências e omissões do Estado.
O episódio deixou claro: não é apenas sobre alojamento precário, mas sobre dignidade, respeito e memória histórica.
O país ainda tem muito a enfrentar — e as vozes dessas mulheres, mais uma vez, escancaram isso ao mundo.