
Antes de ser preso, Maduro discutiu saída para o exílio em Belarus, aponta jornal
Negociações contaram com apoio russo e avançaram enquanto pressão dos EUA se intensificava sobre Caracas
Antes de ser capturado pelas forças dos Estados Unidos, o presidente venezuelano Nicolás Maduro chegou a negociar uma possível ida ao exílio em Belarus, país governado por Aleksandr Lukashenko, aliado histórico de Moscou.
De acordo com informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, as conversas tiveram início em novembro de 2025, período em que o cerco diplomático e militar de Washington contra o governo venezuelano se tornou mais intenso. Fontes próximas às tratativas afirmam que Maduro passou a buscar alternativas seguras para deixar o poder diante do avanço das pressões internacionais.
Segundo relatos obtidos em Moscou, o próprio Maduro acionou sua rede de aliados estrangeiros com o objetivo de costurar uma saída negociada. Para isso, o governo venezuelano teria recorrido diretamente ao apoio russo.
Missão a Minsk e veto a Moscou
O responsável por conduzir os contatos foi o embaixador da Venezuela na Rússia, o general Jesús Salazar Velásquez, enviado a Minsk em 25 de novembro para avaliar as condições oferecidas pelo governo belarusso. Ainda segundo as fontes, a resposta foi positiva, com Lukashenko sinalizando disposição para receber o líder chavista.
Inicialmente, a preferência de Maduro era se estabelecer na Rússia. No entanto, a possibilidade teria sido descartada pelo presidente Vladimir Putin, que avaliou que acolher o venezuelano poderia prejudicar o diálogo direto com o presidente norte-americano Donald Trump, especialmente em um momento delicado das negociações relacionadas à guerra na Ucrânia.
Diante desse cenário, Belarus passou a ser considerada uma alternativa mais viável e politicamente menos sensível para o Kremlin, funcionando como uma solução intermediária para um eventual exílio do presidente venezuelano.