Apagão à vista, sorriso garantido: Nunes pede socorro a Lula em meio ao caos da Enel

Apagão à vista, sorriso garantido: Nunes pede socorro a Lula em meio ao caos da Enel

Com São Paulo às escuras, prefeito cobra ajuda federal em evento elegante, enquanto o presidente responde apenas com um sorriso discreto

No meio de discursos bem ensaiados, luzes de estúdio e autoridades alinhadas para fotos, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, resolveu trazer um assunto pouco iluminado ao palco: o apagão da Enel. Diante do presidente Lula, durante o lançamento do SBT News, em Osasco, o prefeito fez um apelo direto — quase um pedido de socorro.

A situação não era pouca coisa. Um vendaval histórico havia deixado milhões de imóveis sem energia na Grande São Paulo, e mesmo dias depois, centenas de milhares de famílias ainda conviviam com a escuridão — e até com falta de água. Enquanto a cidade tentava se virar no escuro, a concessionária era acusada de lentidão, números contestados e carros parados quando deveriam estar nas ruas.

No palco, Nunes foi direto, mas educado: disse esperar que, na estreia da nova emissora, São Paulo já não estivesse refém da Enel. E completou, olhando para Lula: “O senhor precisa nos ajudar nisso. Não está fácil.”
A resposta presidencial? Um sorriso silencioso na plateia — curto, contido e sem promessa alguma.

Ao fundo, o clima político pesava mais que as nuvens de tempestade. Nunes e o governador Tarcísio de Freitas defendem uma intervenção federal na empresa, enquanto o ministro de Minas e Energia prefere classificar tudo como “disputa política”, insistindo que o governo federal está focado apenas em restabelecer o serviço.

A ironia é que, dias antes do blecaute, técnicos do TCU já haviam apontado falhas graves da Enel e sugerido avaliar uma intervenção. Multas milionárias, planos descumpridos e judicializações que não dão em nada completam o cenário — um roteiro conhecido, repetido e sempre empurrado para depois.

No fim das contas, o evento seguiu, os discursos continuaram, as câmeras desligaram. Já a luz em São Paulo… essa ainda demorou a voltar.

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