
Apagões em SP: ministro evita atacar a Enel e aponta falhas da Aneel e da prefeitura
Alexandre Silveira diz que faltam laudos técnicos para punir a concessionária e afirma que alertas sobre árvores em risco foram ignorados pelo poder municipal
Em meio ao caos provocado pelos apagões em São Paulo, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, adotou um tom cauteloso. Em reunião no Palácio dos Bandeirantes, ele evitou responsabilizar diretamente a Enel e preferiu dividir o peso da crise entre a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a Prefeitura da capital.
Segundo relatos apurados durante o encontro, que contou com a presença do governador Tarcísio de Freitas e do prefeito Ricardo Nunes, Silveira afirmou que cobra a Aneel há mais de dois anos para apresentar dados técnicos sólidos que sustentem, do ponto de vista legal, um eventual rompimento do contrato com a concessionária. Até agora, segundo ele, essas respostas não vieram.
O ministro reforçou que não há caminho jurídico para decretar a caducidade da concessão sem um parecer técnico consistente da agência reguladora. Para Silveira, decisões dessa magnitude não podem ser tomadas no grito ou no calor da crise, mas com base em dados e critérios objetivos.
Além disso, ele direcionou críticas à Prefeitura de São Paulo. De acordo com o ministro, mais de 1.300 árvores que deveriam ter sido retiradas acabaram caindo, muitas delas sobre a rede elétrica, o que agravou os apagões. Silveira afirmou ainda que houve falha no acompanhamento técnico por parte do município.
Segundo informações repassadas à Aneel, a Enel teria alertado formalmente a prefeitura, com antecedência, sobre áreas críticas e sobre o risco de queda de mais de 15 mil árvores. Mesmo assim, as providências necessárias não teriam sido adotadas, o que contribuiu diretamente para o colapso no fornecimento de energia.
A prefeitura, por sua vez, reagiu em nota e rebateu as declarações. A gestão municipal afirmou que a Enel descumpriu o Plano Anual de Poda, executando apenas uma pequena fração do que havia sido acordado, e classificou o resultado como insuficiente diante da dimensão do problema.
Enquanto os discursos se cruzam e as responsabilidades são empurradas de um lado para o outro, a população segue no escuro — literalmente — à espera de soluções que vão além das justificativas técnicas e das trocas de acusações.