
Após anos de impasse, Lula finalmente tira do papel programa que promete reduzir uso de agrotóxicos no país
Criado ainda no governo Dilma, o Pronara só ganhou força agora com a assinatura de Lula, após disputas entre ministérios e pressão por um modelo agrícola menos envenenado
Depois de anos engavetado e alvo de disputa entre diferentes alas do governo, o Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara) finalmente saiu do papel. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta segunda-feira (30) o decreto que oficializa a criação do programa, que busca reduzir o uso de substâncias químicas nas lavouras brasileiras e incentivar práticas agrícolas mais sustentáveis.
O Pronara foi concebido ainda no governo da ex-presidente Dilma Rousseff, mas nunca chegou a ser implantado de fato. Ao longo do último ano, o tema foi motivo de embates entre o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), defensor da proposta, e o Ministério da Agricultura, que adotava uma posição mais cautelosa — ou resistente. Diante da falta de consenso, coube ao próprio Lula bater o martelo.
Com o decreto, o governo federal se compromete a promover políticas públicas que estimulem uma produção de alimentos com menos veneno, mais segurança alimentar e respeito ao meio ambiente. É uma resposta simbólica e prática ao modelo do agronegócio altamente dependente de agrotóxicos, que domina grande parte do país.
A assinatura do decreto representa não apenas o início oficial do Pronara, mas também um gesto político de Lula em direção a movimentos sociais do campo, ambientalistas e setores da agricultura familiar — todos eles pressionavam pela ativação do programa. Agora, com a caneta presidencial, o que estava travado por interesses e disputas internas volta a ter fôlego para tentar transformar, mesmo que aos poucos, a realidade do campo brasileiro.