
Após pressão popular, Moraes alivia penas de presos do 8 de Janeiro: 11 são soltos
Liberação de Débora Rodrigues, que ficou conhecida por escrever “perdeu, mané” numa estátua, abre caminho para nova leva de solturas autorizadas pelo STF.
Depois de muita pressão nas redes e nas ruas, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a soltura de mais 11 pessoas presas pelos atos de 8 de Janeiro. A decisão vem logo após a concessão de prisão domiciliar a Débora Rodrigues dos Santos — famosa por ter pichado “perdeu, mané” na estátua da Justiça — gesto simbólico que se tornou um dos ícones das manifestações.
Débora passou a cumprir pena em casa após uma onda de mobilizações que pressionava por sua liberdade. Até então, apenas uma única soltura havia sido concedida em 2025.
As novas liberações ocorreram entre os dias 28 de março e 1º de abril. Entre os beneficiados está o empresário Leonardo Henrique Maia Gontijo, de 34 anos, inicialmente condenado a um ano de prisão, mas que teve a pena convertida em serviços comunitários e a obrigação de frequentar um curso sobre democracia oferecido pelo Ministério Público Federal. Ele chegou a ser preso por ter se mudado sem autorização da Justiça.
Outro caso curioso é o de Isaias Ribeiro Serra Júnior, um jovem de 24 anos que dava aulas de artes marciais. Ele foi preso novamente depois de deixar a bateria da tornozeleira acabar 17 vezes. Agora, também teve a pena substituída.
Reginaldo Silveira, de 60 anos, que acampou em frente ao QG do Exército e teve mais de 70 ocorrências envolvendo a tornozeleira, também entrou na lista dos soltos.
O adestrador de cães Kenedy Colvello, de 29 anos, ficou seis dias longe de casa e acabou preso. A defesa alegou que ele estava trabalhando, e o argumento colou: teve a pena revista.
Já o professor aposentado Jaime Junkes, de 68 anos, conseguiu o direito de cumprir a pena em casa. Diagnosticado com câncer de próstata e com histórico de problemas cardíacos, ele havia sido condenado a 14 anos de prisão.
As decisões mostram uma flexibilização gradual nas penas dos envolvidos nos atos golpistas, após mais de um ano de endurecimento nas ações do STF.