Aprovação após apuração: ex-secretária do “Careca do INSS” fala na CPMI

Aprovação após apuração: ex-secretária do “Careca do INSS” fala na CPMI

Cofre, dinheiro vivo e menções a Lulinha entram no centro do depoimento

A CPMI do INSS ouviu nesta semana a ex-secretária de Antônio Carlos Camilo Antunes, o empresário conhecido como “Careca do INSS”. Sob proteção de habeas corpus concedido pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, Aline Bárbara Mota de Sá Cabral compareceu ao Congresso e, mesmo com o direito ao silêncio assegurado, respondeu parte das perguntas dos parlamentares.

O depoimento girou em torno de um ponto sensível: a rotina de pagamentos em espécie dentro da empresa investigada por supostas fraudes em benefícios da Previdência.

💼 O cofre, os repasses e o dinheiro em espécie

“Eu não fazia pagamentos”, afirma ex-secretária

Aline confirmou que tinha acesso ao cofre da empresa e que, por orientação direta do chefe, entregava valores em dinheiro vivo ao motorista, destinados ao pagamento de insumos. Disse, porém, que não controlava o montante guardado nem tinha acesso a contas bancárias.

“Eu não tinha acesso a contas bancárias e não fazia pagamentos”, afirmou aos integrantes da comissão.

Ela também garantiu que não participava de decisões estratégicas sobre a destinação dos recursos e que desconhecia a origem do dinheiro movimentado. Segundo seu relato, quando foi contratada, o empresário se apresentava como alguém bem-sucedido no mundo dos negócios.

🚗 Luxo, Porsche e negativas sobre Lulinha

Durante a oitiva, a ex-secretária confirmou que sabia da existência de carros de luxo do empresário, como modelos da Porsche e da Mercedes. Ainda assim, declarou que não questionava a origem dos bens e que sua atuação era limitada à rotina administrativa.

Questionada sobre possíveis vínculos financeiros com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Aline foi categórica: negou ter comprado passagens, repassado valores ou intermediado qualquer pagamento ao empresário.

O nome de Lulinha surgiu nas investigações após um ex-funcionário afirmar que ele seria sócio do lobista e receberia uma mesada de R$ 300 mil. Mensagens apreendidas pela Polícia Federal também mencionariam pagamentos ao “filho do rapaz”. A ex-secretária, contudo, rejeitou qualquer participação nesse contexto.

📝 Anotações e supostas porcentagens

Outro ponto levantado pelos parlamentares foi a existência de anotações que relacionariam percentuais a agentes públicos. Aline negou ter feito qualquer registro desse tipo e afirmou que, no momento da operação da Polícia Federal, já não exercia a função de secretária direta do empresário.

Ela reforçou que nunca integrou esquema de enriquecimento ilícito e que sua atuação se restringia a tarefas administrativas e de recursos humanos.

⚖️ Próximo capítulo: advogado investigado será ouvido

A comissão também havia marcado para esta semana o depoimento do advogado Cecílio Galvão, apontado como responsável por contratos milionários com associações investigadas por descontos irregulares em aposentadorias. A oitiva foi adiada e deve ocorrer na quinta-feira (5), mantendo-se a condução coercitiva aprovada pela CPMI.

📌 O que está em jogo

A investigação busca esclarecer a existência de um suposto esquema de fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios do INSS. O depoimento da ex-secretária não trouxe confissões, mas detalhou a rotina interna da empresa — especialmente o uso frequente de dinheiro em espécie.

Agora, os parlamentares tentam cruzar essas informações com dados bancários, mensagens apreendidas e contratos firmados com associações suspeitas.

A pergunta que permanece no ar é simples e direta: os relatos administrativos explicam tudo ou são apenas a superfície de uma engrenagem muito maior?

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