Assessor de deputado é preso com R$ 700 mil em espécie e suspeita recai sobre envolvimento em ataque hacker milionário

Assessor de deputado é preso com R$ 700 mil em espécie e suspeita recai sobre envolvimento em ataque hacker milionário

PF apreende R$ 700 mil em RR com assessor parlamentar ligado a ataque hacker a instituições financeiras Foto: Reprodução/Polícia Federal

Jackson Renei, que também é corretor de imóveis, sacou dinheiro suspeito de ligação com um dos maiores crimes cibernéticos do país. PF rastreou transferências milionárias de empresas ligadas ao golpe.

Um saque vultoso, um assessor de político envolvido e um dos maiores ataques cibernéticos já registrados no Brasil. Assim começa o enredo que levou à prisão de Jackson Renei Aquino de Souza, assessor parlamentar do deputado estadual Neto Loureiro (PMB) e corretor de imóveis nas horas vagas.

Jackson foi detido em flagrante ao sair de uma agência bancária em Boa Vista (RR) com R$ 700 mil em espécie. O dinheiro, segundo a Polícia Federal, teria ligação direta com o megaataque hacker que desviou centenas de milhões de reais de contas bancárias por meio do sistema PIX. A ofensiva digital, revelada no início de julho, é considerada uma das mais graves da história do país.

A investigação aponta que o assessor recebeu em sua conta poupança R$ 2,4 milhões, enviados por duas empresas ligadas ao golpe. Uma delas teria transferido R$ 1,85 milhão e a outra, R$ 600 mil. O esquema foi identificado após alerta da Coordenação de Repressão a Fraudes Bancárias Eletrônicas, quando Jackson agendou um saque de R$ 1 milhão para uma segunda-feira.

Na abordagem, os agentes apreenderam os R$ 700 mil em dinheiro e o carro do suspeito. Já na audiência de custódia, a prisão foi convertida em preventiva, sob a justificativa de proteger a ordem pública e econômica.

Versão do assessor

Em depoimento, Jackson alegou desconhecer a origem ilícita dos valores. Segundo ele, o dinheiro pertenceria a um garimpeiro venezuelano, com quem negociava a compra de uma fazenda em Roraima, na condição de corretor. Disse ainda que a operação foi intermediada por outro homem e que usou a própria conta bancária para facilitar a transação, esperando retorno financeiro.

Mas para a Polícia Federal, essa versão não se sustenta. O delegado responsável pelo caso ressaltou que Jackson, por atuar como corretor, “podia e devia saber das circunstâncias”. O comportamento dele se encaixaria na chamada “cegueira deliberada”, quando alguém escolhe conscientemente ignorar a origem suspeita do dinheiro para poder alegar inocência depois.

“Ele evitou confirmar a ilicitude da operação para poder lucrar sem deixar rastros, agindo como se nada soubesse. Essa ignorância é intencional e consciente”, diz o relatório da PF.

Reações oficiais

A Assembleia Legislativa de Roraima informou que o assessor está de férias e que estão sendo tomadas as medidas administrativas para o seu desligamento. Já o deputado Neto Loureiro afirmou, por meio de sua assessoria, que não tinha conhecimento do envolvimento de Jackson e que não compactua com nenhum tipo de conduta ilegal.

O ataque hacker

O ataque investigado pela PF atingiu a empresa C&M Software, responsável por interligar bancos ao sistema do Banco Central. Embora o alvo não tenha sido o BC ou o PIX diretamente, a vulnerabilidade permitiu que criminosos desviassem valores estimados em até R$ 800 milhões em poucas horas. Ao menos seis instituições financeiras foram afetadas. As investigações ainda estão em curso.

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