
“Ataque estrangeiro, soberania ferida”: Lindbergh leva Flávio Bolsonaro ao STF por comentário que cheira a submissão
Senador ironiza presença dos EUA no combate ao tráfico e é acusado de atentar contra a soberania nacional. O caso mostra até onde a imprudência política pode ir — e como a defesa da Pátria virou motivo de petição judicial.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) resolveu brincar com fogo — e, como sempre, o incêndio foi político. Ao comentar nas redes sociais uma operação militar dos Estados Unidos na Venezuela e na Colômbia, ele insinuou que gostaria de ver algo parecido acontecendo na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. “Que inveja!”, escreveu, como se a presença de tropas estrangeiras em águas brasileiras fosse algo para se admirar.
Foi o suficiente para Lindbergh Farias (PT-RJ), líder do PT na Câmara, acionar o Supremo Tribunal Federal, acusando o senador de atentar contra a soberania nacional. Segundo o deputado, ao flertar com a ideia de intervenção estrangeira, Flávio ultrapassou a fronteira da irresponsabilidade e pisoteou um dos pilares da Constituição: o dever de lealdade à Pátria.
Flávio, claro, tentou se justificar — disse que foi “mal interpretado”, que a imprensa “distorceu suas palavras”, e que, na verdade, só queria denunciar o tráfico de drogas. Mas convenhamos: pedir ajuda de um exército estrangeiro para resolver problema interno soa, no mínimo, covarde e subserviente. É como chamar o vizinho para resolver uma briga de família e ainda entregar a chave de casa.
A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, não deixou passar batido:
“Não tem limites a vocação dessa família para trair o Brasil. Felizmente temos Lula no comando para defender nossa soberania contra qualquer tipo de intervencionismo”, disse, em tom de indignação.
O episódio, que começou como mais uma bravata digital, terminou como um caso de repúdio nacional. Afinal, o que está em jogo não é apenas o temperamento inflamado de um senador — é o respeito à autonomia do país. Quando um representante da República flerta com a ideia de um ataque estrangeiro, a ironia deixa de ser engraçada e se torna um insulto à própria bandeira.