
Ato de Nikolas na Paulista contra Lula e Moraes lota avenida — mas “contagem mágica” reduz multidão
Manifestação em São Paulo reúne milhares contra Lula e STF, enquanto levantamento da USP vira alvo de ironia nas redes
A Avenida Paulista voltou a ser palco de protesto neste domingo (1º). Convocado pelo deputado Nikolas Ferreira e com presença do senador Flávio Bolsonaro, o ato “Acorda Brasil” reuniu milhares de manifestantes contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ministros do Supremo Tribunal Federal, especialmente Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
O protesto começou por volta das 14h e seguiu até o fim da tarde, com discursos, bandeiras verde-amarelas e palavras de ordem pedindo impeachment, anistia e mudanças no Judiciário.
A “matemática criativa” da contagem
Segundo o Monitor do Debate Político da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com o Cebrap e a ONG More in Common, o público na capital paulista teria sido de cerca de 20,4 mil pessoas, podendo variar entre 18 mil e 22,9 mil no pico.
A estimativa, feita por meio de imagens aéreas analisadas por software de inteligência artificial, rapidamente virou motivo de ironia entre participantes e nas redes sociais. Para muitos manifestantes, quando o movimento é de direita, os números parecem sempre “enxugar”; quando é ato da esquerda, a sensação é de que a calculadora ganha asas.
A crítica não ficou restrita à quantidade, mas ao critério. Houve quem questionasse a metodologia, a margem de erro e até o que chamaram de “padrão acadêmico seletivo”. Nas rodas de conversa, a ironia era inevitável: “Se fosse pró-governo, já estaria na casa dos milhões”.
Presenças políticas e discurso forte
Além de Nikolas e Flávio, participaram lideranças como Valdemar Costa Neto, o governador Romeu Zema, o governador Ronaldo Caiado e o prefeito Ricardo Nunes.
Os discursos giraram em torno de críticas ao governo Lula, acusações de interferência do STF na política e defesa de maior protagonismo do Congresso Nacional.
Mobilização nacional
Os atos não ficaram restritos a São Paulo. Houve manifestações no Rio de Janeiro, em Brasília, Belo Horizonte, Salvador, Goiânia, Recife, Curitiba, Porto Alegre, Fortaleza, entre outras capitais. Em diversas cidades, o roteiro foi parecido: críticas ao governo federal, pedidos de anistia para Jair Bolsonaro e questionamentos às decisões do Supremo.
No Rio, a estimativa apontou 4,7 mil pessoas em Copacabana. Em outras capitais, a movimentação também reuniu apoiadores vestidos de verde e amarelo, com carros de som e faixas.
Entre números e narrativas
No fim das contas, a disputa não ficou apenas no campo político — foi também uma batalha de narrativa. De um lado, organizadores e apoiadores afirmando que a Paulista ficou tomada. Do outro, levantamentos acadêmicos defendendo metodologia técnica e margem de erro.
E assim o Brasil segue: dividido não só nas ideias, mas até na forma de contar gente na rua. Para uns, a multidão fala por si. Para outros, o algoritmo é quem dá a palavra final.