
Barroso alerta sobre leniência com golpistas de 8/1: “Indignação se transformou em pena”
Presidente do STF destaca a importância da punição para evitar futuras ameaças à democracia e à ordem pública, após os ataques às sedes dos Três Poderes.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, fez um importante alerta sobre o risco de minimizar os ataques golpistas de 8 de janeiro, que resultaram em depredação das sedes dos Três Poderes. Em sua fala, o ministro ressaltou que a reação da sociedade foi inicialmente de “indignação”, mas, com o tempo, essa indignação tem se transformado em “pena”, uma mudança de postura que pode enfraquecer a resposta ao golpe.
“É natural que no momento do acontecimento as pessoas fiquem profundamente indignadas, mas com o tempo essa indignação se converte em pena. Nós fomos da indignação à pena”, comentou Barroso durante uma aula magna na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), ao abordar o caso da extremista Débora Rodrigues, que ficou conhecida por pichar a estátua da Justiça durante os ataques.
O ministro alertou que, sem punição adequada para os envolvidos, o país corre o risco de criar um precedente perigoso, onde, em futuras eleições, qualquer pessoa possa incitar a derrubada de um governo legitimamente eleito e invadir prédios públicos sem consequências. “A não punição desses episódios pode gerar uma ideia perigosa, de que atos golpistas podem ser tolerados”, enfatizou.
Barroso destacou que, embora ninguém goste de punir, a punição é inevitável para garantir a ordem e a estabilidade democrática. “A punição é necessária, mas como será aplicada, isso é uma outra questão”, disse, reafirmando que o devido processo legal deve sempre prevalecer.
Essa fala se dá em um contexto delicado, com o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados utilizando o caso de Débora para criticar o STF e tentar emplacar um projeto de anistia aos envolvidos nos atos de 8/1. Barroso também comentou que o julgamento do ex-presidente será conduzido de acordo com os mais altos padrões legais, independentemente da proximidade com o calendário eleitoral.
Com isso, Barroso reforçou a necessidade de manter a firmeza contra ataques à democracia e alertou sobre os perigos de flexibilizar a punição para os golpistas.