Blindagem e Vitimismo: O Almoço que Transformou Suspeitas em Homenagem

Blindagem e Vitimismo: O Almoço que Transformou Suspeitas em Homenagem

Após ser poupado pela base governista na CPMI do INSS, irmão de Lula é tratado como vítima e ganha almoço de “desagravo” enquanto o sindicato que dirige segue no centro de uma investigação milionária.

É quase irônico — para não dizer revoltante — ver como alguns personagens da política nacional conseguem inverter a lógica ao ponto de transformar suspeitas em honrarias. Foi exatamente isso que aconteceu com José Ferreira da Silva, o “Frei Chico”, irmão do presidente Lula, que recebeu um almoço de “desagravo” em São Paulo depois de ser poupado pela base governista na CPMI do INSS.

O sindicalista, que ocupa a vice-presidência do Sindnapi, entidade investigada pela Polícia Federal por descontos ilegais em benefícios de aposentados, virou alvo de inúmeros requerimentos de convocação apresentados pela oposição. Mas, como num passe de mágica, o governo tratou de blindá-lo — e a CPMI rejeitou todos os pedidos.

Mesmo sem ser formalmente investigado, Frei Chico foi rapidamente alçado à condição de “vítima”. Amigos próximos organizaram um almoço no tradicional Circolo Italiano, no Edifício Itália, justamente no dia do aniversário de Lula, para homenageá-lo e demonstrar “solidariedade” diante da pressão da CPMI.

Entre os organizadores estavam nomes conhecidos do círculo íntimo do presidente: Frei Beto, Marco Antonio Piva, Luiz Eduardo Greenhalgh e Luiz Carlos Rocha. A narrativa construída por eles é a de que o irmão do presidente estaria “abalado” com as investigações que cercam o sindicato.

Mas, do lado de fora do salão elegante onde ocorreu o encontro, a sensação é outra: a de indignação. Enquanto aposentados lesados aguardam respostas e a Polícia Federal investiga um esquema que drenou dinheiro de quem menos pode perder, o irmão do presidente é celebrado como alguém injustiçado — protegido, blindado e confortavelmente acomodado em um almoço de homenagem.

A política brasileira tem dessas cenas que escancaram as prioridades de quem está no poder. E, neste caso, a mensagem é cristalina: quando a situação aperta, a cúpula se fecha, protege os seus e ainda transforma o acusado em herói — deixando o resto do país assistindo, perplexo, como sempre.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias
Tags