
Bolívia encerra duas décadas de governo socialista e se volta para a direita
Crise econômica e divisão interna do MAS impulsionam segundo turno entre Rodrigo Paz Pereira e Jorge “Tuto” Quiroga
As eleições na Bolívia marcaram o fim de uma era política que durou 20 anos. O partido de esquerda Movimento ao Socialismo (MAS), que governou o país por duas décadas, sofreu uma derrota histórica, segundo os resultados preliminares do Tribunal Supremo Eleitoral.
Dividido entre os grupos do ex-presidente Evo Morales e do atual presidente Luis Arce, o MAS viu seu candidato oficial, Eduardo Del Castillo, conquistar apenas 3,2% dos votos. O senador Andrónico Rodríguez, figura conciliadora do movimento, recebeu 8,1% e enfrentou hostilidade de eleitores em frente à seção eleitoral. Morales, impedido de disputar mais um mandato, concentrou esforços nas regiões do Trópico de Cochabamba, onde tentou mobilizar votos nulos e em branco — que somaram surpreendentes 19%.
Em meio a protestos, acusações graves e uma economia em crise — com inflação de 25%, desvalorização da moeda e escassez de combustíveis — o eleitorado optou por uma mudança de rumo. O segundo turno, marcado para 19 de outubro, será disputado entre Rodrigo Paz Pereira, do Partido Democrata Cristão, e o ex-presidente Jorge “Tuto” Quiroga, do partido Liberdade e Democracia.
Paz Pereira, que começou a corrida eleitoral com apenas 3% das intenções de voto, surpreendeu ao conquistar 32,1% no primeiro turno. Seu programa, chamado Agenda 50/50, focado em desenvolvimento econômico inclusivo, também atraiu ex-eleitores do MAS. Já Quiroga, com 26,8% dos votos, apostou em uma plataforma conservadora e no apoio do FMI, prometendo uma rápida recuperação econômica.
Para muitos, a votação simboliza o fim de uma “longa noite” de duas décadas de socialismo na Bolívia, enquanto o país se prepara para definir seu novo caminho político em outubro.