
Bolsonaristas celebram voto de Fux e falam em “perseguição escancarada”
Ministro divergiu de Moraes, questionou competência do STF e virou símbolo de resistência para aliados do ex-presidente
A fala do ministro Luiz Fux no julgamento da Primeira Turma do STF caiu como combustível para a direita nesta quarta-feira (10). O magistrado votou pela anulação do processo contra Jair Bolsonaro e outros réus da chamada “trama golpista”, alegando que o Supremo não teria competência para julgar pessoas sem foro privilegiado no momento da denúncia.
Silas Malafaia comemorou em tom inflamado: “Voto arrasador. O STF não tem competência para julgar Bolsonaro. Isso é perseguição política”, declarou. O ex-ministro Fábio Wajngarten foi na mesma linha: “Fux deixou claro o óbvio, que há perseguição em detrimento do bom direito”.
Entre os filhos do ex-presidente, a repercussão também foi imediata. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que o voto desmontou a narrativa de Moraes e provou que seu pai foi julgado sem acesso pleno às provas. Já o deputado Gustavo Gayer (PL-GO) resumiu: “Fux escancarou a perseguição contra Bolsonaro”.
O PL, partido de Bolsonaro, divulgou nota dizendo que o ministro demonstrou imparcialidade e apontou nulidade em todo o processo. Para aliados, o voto de Fux foi mais do que técnico: virou bandeira política.
No placar, porém, a maioria ainda pesa contra o ex-presidente. Alexandre de Moraes e Flávio Dino já votaram pela condenação. Agora, resta saber como se posicionarão Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, cujos votos podem definir o futuro de Bolsonaro e outros sete acusados.