Boulos ataca juros a 15% e culpa o Banco Central — como se ele não fosse do governo

Boulos ataca juros a 15% e culpa o Banco Central — como se ele não fosse do governo

Ministro reclama da Selic, chama de “agiotagem” e faz discurso de indignado… só falta combinar com o Planalto

Guilherme Boulos resolveu aparecer com discurso inflamado contra a taxa básica de juros mantida em 15% ao ano. Em tom de protesto, acusou o Banco Central de “alimentar a agiotagem” e disse que, enquanto o trabalhador perde poder de compra, “o banqueiro ri à toa”.

Até aí, parece um deputado da oposição fazendo barulho. Mas não. É um ministro do próprio governo Lula falando como se estivesse assistindo tudo de fora, com pipoca na mão e dedo em riste.

A declaração veio justamente no dia em que o Copom indicou que pode começar a cortar a Selic em março, só que sem prometer nada com clareza — aquele estilo “talvez sim, talvez não”, que deixa o país na ansiedade e o mercado no conforto.

Boulos aproveitou o cenário para reforçar a narrativa de que o Brasil vive uma fase de inflação controlada, a mais baixa desde o Plano Real dentro de um governo, e que isso abriria espaço para uma queda mais rápida dos juros. Segundo ele, o governo Lula “está fazendo sua parte”, mas o Banco Central segue segurando o freio.

E aí vem o ponto que irrita: o ministro fala como se o governo fosse uma vítima indefesa, amarrada e sem escolha. Só que a população não é boba. Quando o resultado é bom, é mérito do governo. Quando o resultado é ruim, a culpa é sempre “dos outros” — do Banco Central, do mercado, do Congresso, do clima, do passado, do universo.

No fim, Boulos tenta vestir a fantasia do “defensor do povo” e do “combatente dos bancos”, mas com um detalhe impossível de ignorar: ele está sentado na mesa do poder, com cargo, caneta e estrutura.

Criticar juros altos pode até ser justo. Mas fazer isso como se não tivesse nada a ver com o governo que ele integra… aí já vira aquele teatro político bem conhecido: grita por fora, mas governa por dentro.

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