
Brasil avalia restringir laços com Israel, diz Celso Amorim
Assessor de Lula sugere fim de acordos comerciais e diplomáticos como resposta à ofensiva em Gaza
Em entrevista à Folha de S. Paulo, o assessor de Lula, Celso Amorim, defendeu que o Brasil adote posição mais rígida em relação a Israel. Ele sugeriu que o país suspenda o acordo de livre‑comércio, recuse a nomeação de um novo embaixador e participe da ação da África do Sul na Corte Internacional de Justiça por genocídio.
Amorim classificou como “totalmente desproporcional” a resposta militar israelense ao ataque do Hamas, que teria resultado na morte de dezenas de milhares de civis. Ele destacou: “É muito ruim matar 2 000 pessoas… mas matar 60 000 ou 70 000 — mulheres e crianças na fila humanitária — é impensável”.
Em sua visão, é preciso distinguir claramente três atores: o povo judeu, o Estado de Israel com direito à autodefesa e o atual governo de Netanyahu, que ele acusa de praticar genocídio.
Também foi mencionada a retirada do embaixador brasileiro de Tel Aviv e a não aprovação de novo representante israelense — situações diplomáticas consideradas necessárias, embora com riscos práticos, como a proteção de brasileiros na região.
Amorim ponderou que romper totalmente as relações, como fez o Chile, acarreta consequências graves, inclusive para cidadãos brasileiros no Oriente Médio. Por isso, defende uma “relação mínima” com Israel, restringindo principalmente laços comerciais e militares.
O assessor afirmou que o Brasil já estuda essas medidas — incluindo a adesão à ação jurídica contra genocídio — e que uma decisão concreta pode ser anunciada em breve.
Além disso, Amorim abordou outras questões internacionais: lamentou a ausência de Xi Jinping na cúpula dos Brics, criticou o afastamento dos EUA do multilateralismo sob Trump e afirmou que eventuais sanções americanas contra membros do STF seriam “absurdas e inaceitáveis”, prometendo retaliações.
Conclusão reflexiva
Com este discurso firme, Amorim sinaliza um reposicionamento ético e político do Brasil no cenário internacional diante da crise em Gaza. A proposta de adotar uma postura mais dura — combativa nos tribunais internacionais e contida no comércio — reflete a tensão entre compromisso humanitário e desafios diplomáticos práticos em tempos de guerra.
Se for adiante, a estratégia poderá tornar o Brasil protagonista global na defesa de direitos humanos. Mas essa trajetória exige equilíbrio, pois envolve acordos sensíveis e a segurança da nossa gente no exterior.