
“Brasil está do lado da paz”, afirma Celso Amorim sobre conflito entre Irã e Israel
Diante da pressão dos EUA por alinhamento, assessor de Lula reforça neutralidade diplomática brasileira em meio à tensão no Oriente Médio
O assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim, deixou clara a posição do Brasil diante da escalada entre Irã e Israel: o país não pretende tomar partido de nenhum dos lados. “O Brasil está do lado da paz”, afirmou Amorim à coluna, numa resposta direta à pressão vinda do governo dos Estados Unidos.
A fala de Amorim veio após uma servidora do Departamento de Estado americano, em uma coletiva virtual, convocar países da América Latina e Caribe a “escolherem de que lado estão” no conflito. A diplomata americana usou uma retórica de confronto, reforçando o discurso de que o Irã seria um “patrocinador estatal do terrorismo”, e exigindo definições de aliados regionais às vésperas da 55ª Assembleia-Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), que acontece nesta terça-feira (24/6).
Em resposta, o ex-chanceler brasileiro e atual conselheiro internacional de Lula reforçou que o país não se deixará levar por imposições externas: “O Brasil não tem lado. O Brasil está do lado da paz”, disse, rebatendo a narrativa de “quem está com quem” imposta por Washington.
Enquanto isso, os olhos do mundo continuam voltados para o Oriente Médio. Ainda na noite de segunda-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou um cessar-fogo entre Irã e Israel, apelidando o conflito de “a guerra dos 12 dias”.
Embora o foco da Assembleia da OEA seja a grave crise no Haiti, há expectativa de que os desdobramentos da guerra no Oriente Médio também dominem os discursos e movimentações diplomáticas.
Amorim, com sua longa trajetória no Itamaraty, reafirma um princípio histórico da política externa brasileira: a defesa do diálogo, da soberania e da não intervenção — mesmo quando a pressão internacional aumenta o tom.