
Brasil se prepara para peitar Trump na OMC, mas Lula decide quando apertar o gatilho
Governo avalia o melhor momento para contestar tarifas pesadas dos EUA sobre carne, café e frutas; Alckmin já obteve aval da Camex para iniciar a disputa.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, anunciou nesta segunda-feira (4/8) que o Brasil já tem luz verde da Câmara de Comércio Exterior (Camex) para iniciar uma consulta formal à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
Agora, falta apenas o “sim” final do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que vai bater o martelo sobre quando e como o país entrará oficialmente na briga.
A consulta à OMC é a primeira jogada em um processo formal de disputa comercial. Nela, o país que se sente lesado — neste caso, o Brasil — exige que o outro lado explique a medida tomada. A partir daí, os dois têm um período para tentar um acordo amigável.
Se o diálogo não render, a próxima etapa é pedir a criação de um painel internacional, uma espécie de tribunal que julga se houve violação das regras do comércio global e pode mandar corrigir a medida.
Alckmin reforçou que o Brasil segue defendendo o livre comércio e acordos multilaterais. Citou, por exemplo, tratativas como Mercosul-Singapura, Mercosul-EFTA e o acordo com a União Europeia — que, segundo ele, é o maior já feito entre dois blocos econômicos.
O pano de fundo dessa disputa é o chamado “tarifaço” anunciado pelo presidente norte-americano Donald Trump, que atinge especialmente carne, café e frutas, com alíquotas de 50%. A medida começa a valer já no dia 6 de agosto.
Para tentar conter os danos, o governo brasileiro vem conversando com exportadores e busca alternativas, como a abertura de novos mercados, concessão de crédito e até ampliação de compras governamentais para absorver parte da produção afetada.
Trump, no entanto, deixou de fora quase 700 itens da sobretaxa — como aeronaves civis, suco de laranja, minério de ferro, aço e combustíveis. Segundo Alckmin, cerca de 65% das exportações brasileiras já estão protegidas ou têm tratamento igual ao dado a outros países, mas os 35% restantes continuam sendo o maior desafio.