
Brasil se retira da ONU em protesto ao discurso de Netanyahu
Delegação brasileira reforça solidariedade à Palestina em ato de repúdio contra políticas israelenses
Na sexta-feira (26), a delegação brasileira na Organização das Nações Unidas (ONU) deixou o plenário durante o discurso do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, na 80ª Assembleia Geral. O gesto foi uma forma clara de protesto contra a ofensiva militar israelense na Faixa de Gaza, que já provocou mais de 68 mil mortes e devastou grande parte do território palestino.
Netanyahu iniciou seu discurso detalhando operações militares contra o Hamas e ações contra o que chamou de “Eixo da Resistência do Irã”. Ele também agradeceu publicamente o apoio dos Estados Unidos, mencionando ações conjuntas contra o Irã. Durante a fala, diversas delegações internacionais, incluindo representantes da Coreia do Sul, Líbano, Austrália, Venezuela, Tunísia e Senegal, se retiraram em solidariedade à causa palestina, acompanhando a postura do Brasil.
O governo brasileiro esteve presente usando keffiyeh, o lenço tradicional palestino, como símbolo de apoio à população civil atingida pelos conflitos. Segundo o assessor especial da presidência, Celso Amorim, a retirada da delegação não tinha relação com o povo judeu nem com a existência de Israel, mas sim com respeito à população palestina, que sofre com bombardeios e ocupação.
A pressão internacional sobre Netanyahu cresce à medida que países aliados, como França, Reino Unido e Canadá, reconhecem oficialmente o Estado da Palestina. A postura brasileira na ONU se soma a manifestações globais, incluindo protestos em frente à sede das Nações Unidas em Nova York, reforçando a crítica às políticas agressivas de Israel.
Enquanto isso, Netanyahu enfrenta forte oposição interna em Israel, com milhares de manifestantes pedindo cessar-fogo e o fim das operações militares na Faixa de Gaza, além da manutenção de reféns palestinos em território controlado pelo Hamas.