
Caiado acusa Sabino de “trair” União Brasil e agir a favor do PT
Governador de Goiás critica ministro do Turismo por permanecer no governo Lula e defende expulsão do partido
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), não poupou críticas nesta quarta-feira (8) ao ministro do Turismo, Celso Sabino (União Brasil-PA), a quem chamou de “traidor” e “quinta coluna” — termo usado para definir quem age em favor do inimigo dentro de um grupo.
As declarações foram feitas após a Executiva Nacional do União Brasil decidir afastar Sabino de todas as funções partidárias e abrir processo de expulsão junto ao Conselho de Ética da sigla.
“Quinta coluna é aquele que passa informações ao inimigo e faz o que ele manda. Sabino não tem posição compatível com o nosso partido”, afirmou Caiado, em Brasília.
O governador reforçou que não é possível ser soldado do União Brasil e do governo Lula ao mesmo tempo, e defendeu a expulsão definitiva do ministro. A medida segue a orientação da federação União Progressista, que em setembro determinou a saída de todos os filiados que ocupam cargos no governo federal.
Troca de farpas
Após a reunião, Sabino respondeu às críticas de Caiado com ironia, questionando o desempenho eleitoral do governador:
“Quando ele tiver 1,5% nas pesquisas, eu respondo”, disse, em referência às intenções de voto de Caiado para 2026.
O governador devolveu a provocação e acusou Sabino de atuar como “porta-voz do PT dentro do União Brasil”, afirmando que o ministro age de forma estratégica para favorecer o Planalto.
Por sua vez, Sabino reafirmou sua lealdade a Lula:
“Sigo ao lado do presidente Lula porque acredito que esse é o melhor projeto para o país”, declarou.
O ministro acredita ainda que o processo disciplinar pode ser revertido, mantendo espaço para negociação dentro da sigla.
Repercussão na federação
No mesmo dia, o PP também puniu o ministro do Esporte, André Fufuca (MA), afastando-o de decisões partidárias e da vice-presidência nacional, pelo mesmo motivo: a permanência no governo Lula.
Com o rompimento formal da federação com o Planalto, a União Progressista passou a integrar a base de oposição no Congresso, somando 109 deputados e 14 senadores, consolidando a maior bancada da Câmara.
O processo de expulsão de Sabino será analisado pelo Conselho de Ética do União Brasil, com prazo de 60 dias para decisão, período em que ele não poderá exercer funções partidárias.