
“Cala a boca, Lula”: Vice de Zema reage à crise com EUA e cobra foco no Brasil
Enquanto Trump impõe tarifa de 50% a produtos brasileiros, Mateus Simões critica postura do presidente e diz que Itamaraty deveria liderar negociações sem interferência do Planalto
Em clima de pré-campanha e diante da tensão comercial com os Estados Unidos, o vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (Novo), mandou um recado direto para o presidente Lula: “Pare de se meter na política americana e cuide do caos que virou o Brasil”. A declaração veio durante uma visita ao município de Januária, onde Simões apresentou um projeto para captação de água da chuva no valor de R$ 4,2 milhões.
Na visão do vice de Zema, que já se movimenta como pré-candidato ao governo mineiro em 2026, Lula está mais interessado em fazer discurso nas redes sociais do que em agir com seriedade diante da tarifa de 50% imposta pelo ex-presidente Donald Trump a produtos brasileiros.
“Isso não se resolve com post em rede social. Não adianta reclamar do presidente americano no Twitter, tem que negociar de verdade”, disparou Simões, sem economizar nas críticas. Segundo ele, a política externa do governo Lula é “atabalhoada” e tem mais a ver com vaidade do que com resultados.
Mesmo sem dirigir uma única crítica a Trump, o vice-governador foi duro com a condução do Itamaraty sob o comando petista. “Quem tem que resolver isso é o Ministério das Relações Exteriores. Mas Lula quer dar pitaco em tudo enquanto o país está uma bagunça”, afirmou.
A cobrança veio no mesmo dia em que Lula, também em Minas Gerais — a 460 km dali, em Minas Novas —, anunciava bilhões em investimentos para escolas quilombolas e indígenas dentro do PAC. No evento, Lula voltou a dizer que quer negociar com os Estados Unidos, mas que só aceita conversa se houver reciprocidade. Em tom desafiador, lançou: “Se ele estiver trucando, vai tomar um seis”, numa referência ao jogo de cartas.
Enquanto o presidente insiste em bravatas contra Trump, o cenário diplomático só se complica. Até o Departamento de Estado americano entrou na polêmica: Darren Beattie, subsecretário de Diplomacia Pública, acusou o ministro Alexandre de Moraes de liderar uma “perseguição” a Jair Bolsonaro.
Simões, que fala como quem já mira o Palácio da Liberdade em 2026, disse que o governo mineiro tenta encontrar novos mercados para os setores prejudicados. Mas lamentou que, no nível federal, falte seriedade. “O Brasil precisa de menos falatório e mais diplomacia. E de um presidente que pare de brincar de redes sociais enquanto o produtor rural quebra com tarifa de 50%.”