Câmara de Avaré vira palco de vergonha pública

Câmara de Avaré vira palco de vergonha pública

Morador é arrastado para fora após protestar contra aumento de 79% nos salários dos vereadores

A sessão da Câmara de Avaré (SP), que deveria servir ao interesse público, acabou se transformando em um espetáculo lamentável na noite desta segunda-feira (1º). Enquanto os vereadores aprovavam um reajuste quase indecente — um aumento de quase 80% nos próprios salários — um morador que protestava contra a decisão foi imobilizado e retirado à força do plenário.
Uma cena que humilha a democracia e afronta o direito mais básico de um cidadão: o de manifestar sua indignação.

O projeto aprovado elevou os salários dos vereadores de R$ 6,6 mil para R$ 11,8 mil, e o do presidente da Câmara de R$ 7,6 mil para R$ 13,6 mil, além de garantir 13º salário e férias com 1/3 de acréscimo. Tudo isso para valer a partir de 2029, como se empurrar para a próxima legislatura fosse aliviar o impacto moral da decisão.

O protesto que virou caso de polícia

Logo após a aprovação, um morador que acompanhava a sessão se revoltou — como qualquer cidadão minimamente consciente faria em meio a uma crise econômica — e protestou. Em vez de ouvir, dialogar ou ao menos respeitar o descontentamento da população, o presidente da Câmara, Cabo Samuel Paes, ordenou que o homem fosse retirado.

A cena, registrada em vídeo, é revoltante: o morador é agarrado por quatro pessoas, erguido do chão e carregado como se fosse um estorvo, não um contribuinte que paga o salário de todos ali.
Uma mulher tenta intervir e também acaba envolvida no tumulto.
Democracia, ali, virou palavra vazia.

A Polícia Militar foi chamada, e o caso terminou na delegacia. O homem relatou agressões, arranhões no rosto e nos braços, e afirmou ter sido atacado pelos próprios servidores da Casa — inclusive pelo presidente.

As versões que tentam limpar a imagem

A Câmara correu a dizer que não houve agressão, apenas “imobilização legítima”. Uma justificativa que soa tão absurda quanto o aumento salarial aprovado minutos antes. Segundo o boletim de ocorrência, um funcionário alegou que o morador teria “resistido à retirada” — como se alguém aceitasse ser carregado como um pacote no momento de expressar seu direito de protestar.

Nas redes sociais, Cabo Samuel Paes classificou o episódio como “triste”, e justificou a ação dizendo que “era necessário manter a ordem”. Uma explicação que só expõe ainda mais o abismo entre quem governa e quem é governado.

O morador também se pronunciou, admitindo que se exaltou, mas deixando claro que reagiu à indignação legítima de ver políticos aprovando aumentos monumentais enquanto a cidade enfrenta dificuldades econômicas.

A verdadeira pergunta

A cena de Avaré escancara um problema maior:
Quando foi que protestar contra privilégios virou motivo para ser arrastado para fora de uma Câmara?
Quando foi que a voz do povo passou a ser tratada como ameaça?

O que aconteceu ali não é só confusão — é um sinal perigoso de como parte da política trata quem ousa discordar.
E se tem algo que merece repúdio, é justamente isso.

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