
Capitão Hunter é preso: youtuber do universo Pokémon é investigado por abuso sexual infantil
Influenciador, conhecido por vídeos sobre cartas Pokémon, é suspeito de exploração sexual de duas crianças e troca de presentes por conteúdo inapropriado.
O youtuber João Paulo Manoel, de 45 anos, mais conhecido como Capitão Hunter, foi preso na quarta-feira (22), em Santo André, no ABC Paulista, em uma ação conjunta da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV) do Rio de Janeiro e da Polícia Civil de São Paulo. Ele é investigado por exploração sexual de crianças e estupro de vulnerável, envolvendo uma menina de 13 anos e um menino de 11 anos, com quem mantinha contato através de redes sociais e eventos ligados ao universo Pokémon.
Segundo a investigação, o influenciador solicitava fotos de cunho sexual e enviava imagens inapropriadas às vítimas. Capitão Hunter também possui cerca de 1 milhão de seguidores e mantém uma loja virtual com produtos da franquia Pokémon.
Durante a operação, os policiais cumpriram mandados de busca e apreensão, além de quebras de sigilo de dados, recolhendo todos os dispositivos eletrônicos do suspeito, que passarão por perícia.
O fascínio pelas cartas Pokémon
O universo Pokémon e o jogo de cartas colecionáveis (Pokémon TCG) conquistaram crianças e adolescentes nas últimas décadas. Cada carta representa personagens com habilidades específicas, e os colecionadores buscam os itens tanto por diversão quanto por investimento. Algumas cartas raras chegam a valores milionários, como o Pikachu Illustrator, vendido por US$ 5,2 milhões em 2020, e a Charizard 1ª Edição Shadowless, arrematada por US$ 369 mil.
Capitão Hunter fazia sucesso ao abrir pacotes de cartas em vídeos, analisando itens raros e dando dicas de coleção. Em fevereiro de 2024, por exemplo, ele chegou a abrir cerca de R$ 30 mil em cartas em um único vídeo, atraindo a atenção de crianças e adolescentes. Segundo a polícia, ele usava essa influência para se aproximar das vítimas.
Troca de presentes por conteúdo impróprio
A investigação aponta que o youtuber oferecia cartas raras e outros itens colecionáveis para ganhar a confiança das crianças e manter contato. A delegada responsável pelo caso, Maria Luiza Machado, afirmou:
“Ele trocava presentes, como cartas raras ou brinquedos, por conteúdos inapropriados. Criava uma relação de confiança com as vítimas para induzir comportamentos ilícitos.”
Após a prisão, a esposa do suspeito, com quem ele vive há 13 anos, ficou surpresa com a detenção. O influenciador também estava com o irmão no momento da ação.
Além disso, as investigações indicam que João Paulo ensinava as crianças a apagar mensagens, tentativa de ocultar as evidências. Segundo a delegada, porém, isso não atrapalha a investigação, já que as mensagens podem ser recuperadas.
Posicionamento da defesa
Em nota, a defesa do youtuber afirmou que ele é inocente e que os fatos serão esclarecidos no curso do processo, que corre em segredo de Justiça:
“Meu cliente ajudou famílias, crianças e adolescentes durante muitos anos e sempre teve um cuidado extremo em suas ações. Não podemos condenar ninguém antes do julgamento.”