
Carlos Bolsonaro diz que o pai está “abatido” na Papuda e volta a atacar Moraes por suposta perseguição
Após visita ao ex-presidente, filho 02 relata quadro emocional frágil e dispara críticas contra Alexandre de Moraes e Mauro Cid
Depois de visitar Jair Bolsonaro (PL) no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, Carlos Bolsonaro afirmou que a saúde do ex-presidente estaria piorando dentro da prisão. Em tom carregado de emoção e revolta, o filho do ex-mandatário descreveu o pai como alguém “apático”, “abatido” e ainda “soluçando” durante o encontro.
Carlos fez o relato em uma publicação nas redes sociais, dizendo que saiu há pouco da unidade prisional e que encontrou o pai em um estado que, segundo ele, revela o peso psicológico do encarceramento. Para reforçar a cena, contou detalhes do momento: disse que os dois comeram cascas de pão de forma, que ele mesmo lavou os talheres de plástico usados pelo pai e que, apesar do clima pesado, conseguiu “arrancar uma risada” do ex-presidente — como se fosse uma pequena vitória em meio ao que ele chama de sofrimento.
O que chama atenção, porém, é o tom de repúdio usado por Carlos contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, a quem ele atribui uma espécie de “mão pesada” e perseguição política. As visitas aos sábados, inclusive, só foram autorizadas após decisão de Moraes, mas isso não impediu o filho de Bolsonaro de tratar a situação como um episódio de crueldade contra o pai e contra quem o apoia.
Na mesma postagem, Carlos também atacou diretamente o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, apontando-o como um dos responsáveis pelo que chamou de “esfacelamento de pessoas de bem” e pela “destruição de milhares de famílias”. Para ele, a delação de Cid teria servido como combustível para um processo que, na visão bolsonarista, virou uma máquina de moer reputações e vidas, sem piedade.
Mauro Cid foi condenado a dois anos de prisão em regime semiaberto e está no centro da delação ligada ao caso da chamada trama golpista. Ele também recebeu autorização do comandante do Exército, general Tomás Paiva, para passar à reserva.
Enquanto Carlos desabafa publicamente, a administração do presídio encaminhou ao STF um relatório detalhando a rotina de Bolsonaro entre 15 e 27 de janeiro de 2026, atendendo a uma determinação de Alexandre de Moraes. No documento, consta que o ex-presidente recebe atendimento médico diário, tanto de profissionais particulares quanto de equipes da rede pública do Distrito Federal.
O relatório também aponta que Bolsonaro iniciou sessões de fisioterapia a partir do dia 17 de janeiro, prática que passou a ocorrer quase todos os dias. Além disso, ele mantém uma rotina de caminhadas como forma de atividade física, realizadas na maioria dos dias.
Sobre as visitas, a unidade registrou que Bolsonaro recebe semanalmente Michelle Bolsonaro, normalmente às quartas e quintas-feiras, conforme as regras do presídio. Já os encontros com advogados, segundo o documento, acontecem com frequência praticamente diária.
Mesmo com esses registros oficiais, Carlos Bolsonaro insiste na narrativa de que o pai está sendo empurrado para um desgaste físico e emocional dentro da prisão, e trata a situação como mais um capítulo do que ele chama — ainda que de forma indireta — de perseguição comandada por Moraes, em um cenário que segue dividindo o país entre quem vê Justiça e quem enxerga vingança política.