
Cármen Lúcia pensa em deixar o STF antes do previsto e desabafa com amigos sobre o peso do cargo
Entre o cansaço emocional e o temor de sanções internacionais, ministra avalia encerrar a carreira antes de 2029 e seguir o mesmo caminho de Barroso.
A ministra Cármen Lúcia, uma das vozes mais experientes do Supremo Tribunal Federal (STF), estaria considerando antecipar sua aposentadoria — decisão que poderia ocorrer ainda durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que termina em 2027.
Segundo apuração do jornalista Claudio Dantas, a magistrada teria confidenciado a amigos próximos que o desgaste emocional da função e o clima tenso em torno da Corte a levaram a pensar em encerrar o ciclo antes do tempo. Pelas regras atuais, Cármen poderia permanecer no STF até 2029, quando completará 75 anos.
Além da exaustão emocional, outro motivo pesaria nessa decisão: o temor de novas sanções internacionais. A ministra teve o visto americano revogado em meio a medidas impostas contra autoridades brasileiras e teme se tornar alvo da Lei Magnitsky, a mesma que atingiu o ministro Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci.
Cármen Lúcia ganhou destaque recente ao dar o voto decisivo que condenou Jair Bolsonaro (PL) e outros envolvidos no chamado núcleo central da tentativa de golpe de Estado. A decisão provocou fortes reações internacionais — o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, chegou a classificar o caso como uma “caça às bruxas” contra a direita brasileira.
Nos bastidores, pessoas próximas dizem que a ministra tem buscado práticas espirituais para lidar com o peso emocional do cargo. Entre elas, o Reiki, uma técnica japonesa de imposição de mãos que busca restaurar o equilíbrio energético e mental.
A reflexão de Cármen vem logo após o anúncio da aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso, que deixa o STF após 12 anos de atuação — os dois últimos como presidente da Corte. Em sua despedida, Barroso afirmou ter vivido “tempos de imensa dedicação à justiça e à democracia” e agradeceu pela oportunidade de servir ao país.
Enquanto Barroso já se prepara para a saída, Cármen Lúcia pondera se chegou a hora de fazer o mesmo — e encerrar, com serenidade, um dos capítulos mais marcantes do Judiciário brasileiro.