Carro só nos sonhos? Lula quer veículos que trabalhadores consigam pagar

Carro só nos sonhos? Lula quer veículos que trabalhadores consigam pagar

Presidente defende acesso popular aos SUVs enquanto preços disparam e realidade segue distante

Ter um carro próprio virou luxo para muitos brasileiros, mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acredita que isso pode mudar – ou ao menos deveria. Durante a inauguração da linha de montagem do elétrico Chevrolet Spark, em Horizonte (CE), Lula defendeu que a indústria automotiva produza veículos que “o povo consiga comprar”, enfatizando que os SUVs bonitos não deveriam ser só para quem tem carteira recheada.

“Quem faz esses SUVs bonitos precisa conseguir comprá-los”, disse o presidente, apontando para o modelo recém-fabricado. Ele defendeu que o mercado local – oitavo maior do mundo – tenha prioridade na venda de veículos, e que o excesso, sim, poderia ser exportado.

No discurso, Lula aproveitou para tocar no tema da distribuição de renda e acessibilidade. “Precisamos produzir e vender carros ao povo brasileiro. O excesso a gente exporta, mas precisamos garantir que o povo brasileiro tenha direito de andar em um carro bonito como aquele”, declarou, em tom que misturava entusiasmo e ironia frente à realidade dos preços.

E essa realidade é dura: de 2016 a 2025, o preço médio de um carro dobrou, passando de R$ 70.900 para R$ 159.684, alta de 125%, muito acima da inflação de 63,9% no período. Segundo especialistas, a escalada começou com choques de oferta na pandemia, desvalorização do câmbio e aumento dos custos industriais, tornando o sonho do carro próprio ainda mais distante para a maioria.

O governo, por sua vez, tenta intervir com o programa Carro Sustentável, que oferece redução do IPI para modelos nacionais de entrada, elétricos ou híbridos, incentivando produção local e venda de veículos mais “verdes”. A estratégia já surtiu efeito: em outubro, os modelos enquadrados no programa venderam 74% mais que outros carros.

Mesmo com essa pequena vitória, a ironia permanece: falar em democratizar carros enquanto o preço médio segue altíssimo é quase como prometer que todos poderão ter jet ski no quintal – bonito de ouvir, mas para poucos.

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