
Carta polida, legado controverso: Lewandowski se despede sem deixar saudades
Ex-ministro fala em “zelo e dignidade”, mas críticos lembram defesa do desencarceramento e tolerância com criminosos
Ricardo Lewandowski oficializou sua saída do Ministério da Justiça e Segurança Pública nesta quinta-feira (8/1), entregando ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma carta de demissão repleta de palavras elegantes e autocomplacentes. No texto, o agora ex-ministro afirma ter exercido o cargo com “zelo e dignidade”, agradece a confiança e garante que cobrou de si e da equipe o melhor desempenho possível.
A despedida, no entanto, não empolgou muita gente. Fora do papel timbrado, a avaliação que ecoa entre críticos é bem menos cerimoniosa: Lewandowski não deixará saudades. Para eles, sua gestão ficou marcada por uma visão considerada indulgente com o crime, pela defesa insistente do desencarceramento e por discursos que, na prática, soaram mais favoráveis à libertação de presos do que à proteção efetiva do cidadão comum.
Na carta, o ex-ministro atribui limites de sua atuação a fatores políticos, conjunturais e orçamentários. Ainda assim, opositores observam que faltou firmeza no enfrentamento à criminalidade e sobrou retórica jurídica sobre “dignidade” — conceito que, segundo esses críticos, acabou sendo estendido com generosidade a quem pouco demonstrou respeito às leis.
Lewandowski assumiu o ministério em fevereiro de 2024, após deixar o Supremo Tribunal Federal, e permaneceu no cargo por quase dois anos. Agora, sai pela porta da frente, com agradecimentos mútuos e clima institucional. Mas, fora do Planalto, a leitura é mais irônica: para muitos, dignidade virou palavra bonita para justificar políticas brandas, e o Ministério da Justiça acabou parecendo mais preocupado com o conforto de criminosos do que com a segurança da população.
A partir desta sexta-feira (9/1), Lewandowski deixa oficialmente a pasta. Lula ainda avalia se mantém o ministério unificado ou se o divide em Justiça e Segurança Pública. Enquanto isso, uma coisa é certa para os críticos do ex-ministro: a cadeira ficará vaga, mas o sentimento não é de perda — é de página virada.