
Caso Banco Master: Vorcaro e cunhado são transferidos para presídio no interior de São Paulo
Dono do Banco Master e pastor Fabiano Zettel deixam centro de detenção em Guarulhos após ordem de prisão preventiva do STF
O empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e seu cunhado, o pastor Fabiano Zettel, foram transferidos na manhã desta quinta-feira (5) para a Penitenciária II de Potim, no interior paulista.
Os dois haviam sido presos no dia anterior durante a terceira fase da operação conduzida pela Polícia Federal, que investiga um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça ligado ao grupo financeiro.
A prisão preventiva foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, após pedido formal dos investigadores.
Da prisão em Guarulhos à transferência para presídio
Após a detenção, Vorcaro permaneceu inicialmente no Centro de Detenção Provisória II de Guarulhos. Ali, segundo a Secretaria de Administração Penitenciária de São Paulo, os presos passam pelo chamado período de observação — etapa padrão do sistema prisional.
Nesse processo, o detento passa por revista, procedimentos de higiene, corte de cabelo padronizado, raspagem de barba e recebe o uniforme da unidade, composto por camiseta branca e calça bege.
Na manhã seguinte, Vorcaro e Zettel foram levados juntos para Potim, cidade do interior de São Paulo. A unidade prisional foi inaugurada em 2002 e abriga detentos em regime fechado.
Investigação aponta suposta estrutura paralela de intimidação
De acordo com as investigações da Polícia Federal, o empresário seria apontado como líder de uma estrutura paralela que teria sido utilizada para intimidar adversários, agentes públicos e até jornalistas.
Entre os suspeitos presos ou investigados estão pessoas que, segundo os investigadores, teriam atuado em monitoramento de indivíduos, obtenção de informações sigilosas e execução de ações consideradas sensíveis para os interesses do grupo.
Ao todo, a nova fase da operação cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais.
Bloqueio bilionário e servidores afastados
A operação também determinou medidas cautelares que incluem afastamento de servidores públicos e bloqueio de bens.
Entre os alvos estão ex-integrantes do Banco Central do Brasil suspeitos de atuar informalmente em benefício do grupo investigado.
Segundo as autoridades, foi determinado o bloqueio e sequestro de bens que podem chegar a até R$ 22 bilhões, valor que, de acordo com os investigadores, estaria ligado a movimentações financeiras suspeitas.
Defesa contesta prisão e diz não ter tido acesso às provas
Em nota, os advogados de Daniel Vorcaro afirmaram que a ordem de prisão foi executada sem que a defesa tivesse acesso prévio aos elementos que embasaram a decisão.
Os representantes também disseram que o empresário sempre esteve à disposição das autoridades e que continuará colaborando com as investigações.
Vorcaro já havia sido preso anteriormente, em novembro do ano passado, quando se preparava para viajar ao exterior. Na ocasião, ele permaneceu detido por 11 dias e deixou a prisão usando tornozeleira eletrônica.
Caso segue sob investigação
A chamada operação Sem Compliance segue investigando um possível esquema envolvendo crimes financeiros e atuação de uma organização estruturada para proteger interesses privados.
Com a transferência dos investigados para o sistema penitenciário do interior paulista, o caso entra agora em uma nova fase, enquanto as autoridades analisam documentos, movimentações financeiras e conexões entre os envolvidos.