
Celso Amorim alerta para risco global: “Brasil deve se preparar para o pior”
Assessor da Presidência vê escalada entre EUA, Israel e Irã e teme efeito dominó no Oriente Médio
Em meio à crescente tensão no Oriente Médio, o assessor especial da Presidência e ex-chanceler Celso Amorim fez um alerta direto: o Brasil precisa estar pronto para um cenário mais grave diante do confronto envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
A declaração foi dada nesta segunda-feira (2), em entrevista à GloboNews, após a intensificação dos ataques iniciados no último sábado (28). Para Amorim, o momento é delicado e pode fugir rapidamente do controle.
“Ninguém é juiz do mundo. Matar um líder de um país em exercício é algo condenável e inaceitável. Devemos nos preparar para o pior”, afirmou o diplomata, sinalizando preocupação com a escalada militar.
Conflito pode se espalhar pela região
Segundo Amorim, o risco mais imediato é o alastramento do confronto para outras áreas do Oriente Médio, região que já vive um “aumento vertiginoso das tensões”. Ele destacou que o Irã possui histórico de apoio a grupos xiitas armados em diferentes países, além de ligações com facções consideradas radicais por potências ocidentais.
Esse cenário, na avaliação do assessor presidencial, amplia o potencial de desestabilização regional, podendo afetar rotas estratégicas, mercados internacionais e alianças diplomáticas.
Agenda de Lula com Trump entra no radar
Amorim adiantou que pretende conversar com o presidente brasileiro ainda nesta segunda-feira para discutir os desdobramentos da crise. O conflito ocorre às vésperas de um encontro entre o presidente do Brasil e o líder norte-americano Donald Trump, previsto para este mês.
Nos bastidores, diplomatas ouvidos pela emissora avaliam que o Itamaraty analisa cuidadosamente os impactos da crise na agenda bilateral.
“Estamos a poucos dias do encontro com Trump. É sempre difícil equilibrar verdade e conveniência. Manter o diálogo sem perder credibilidade exige habilidade”, comentou Amorim, deixando claro o desafio diplomático que se impõe.
Governo brasileiro condena ataques
No sábado, o governo brasileiro divulgou nota oficial condenando as ações militares realizadas por Estados Unidos e Israel contra alvos iranianos. O comunicado expressou “grave preocupação” com a escalada e ressaltou que os ataques ocorreram em meio a negociações que, na visão do Brasil, representavam o único caminho viável para a paz.
O Itamaraty apelou para que todas as partes respeitem o Direito Internacional e exerçam “máxima contenção”, buscando evitar novas hostilidades e proteger civis e infraestruturas essenciais.
Nesta segunda-feira, uma nova manifestação diplomática reiterou solidariedade aos países atingidos por retaliações iranianas e pediu a interrupção das operações militares na região do Golfo, sem mencionar nominalmente EUA e Israel.
Repercussão política interna
A posição do governo brasileiro provocou reações internas. Durante manifestações realizadas no domingo (1º), na Avenida Paulista, em São Paulo, opositores criticaram a condenação direta aos Estados Unidos e a Israel.
O episódio evidencia como conflitos internacionais podem rapidamente ganhar dimensão doméstica, afetando debates políticos internos e exigindo posicionamentos firmes — mas calculados — do governo brasileiro.
Enquanto as potências trocam ataques e declarações duras, Brasília observa o tabuleiro geopolítico com cautela. Como resumiu Amorim, o momento pede preparo, sangue-frio e diplomacia ativa diante de um cenário que pode se tornar ainda mais imprevisível.
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