China revida tarifaço de Trump com retaliação pesada: tarifas de 34% e empresas americanas na mira

China revida tarifaço de Trump com retaliação pesada: tarifas de 34% e empresas americanas na mira

Medidas de Pequim sinalizam início de nova escalada na guerra comercial; Brasil, Europa e México reagem aos impactos do confronto entre as duas maiores potências econômicas do mundo.

Dois dias após Donald Trump anunciar novas tarifas de 34% sobre produtos chineses, a resposta de Pequim veio como um tiro certeiro: a China também vai taxar em 34% todos os produtos que chegam de solo americano, acendendo de vez o estopim de uma guerra comercial que promete desestabilizar o comércio global.

As medidas chinesas entram em vigor no próximo dia 10 e foram anunciadas pela Comissão Tarifária do Conselho Estatal. Além das tarifas, o governo de Xi Jinping aumentou a pressão sobre empresas dos Estados Unidos ao incluir 11 delas na lista de “entidades não confiáveis”, impedindo qualquer tipo de negócio no país ou com empresas chinesas.

A retaliação não parou por aí. O Ministério do Comércio chinês também instaurou um sistema de licenciamento para exportação de sete tipos de terras raras — minerais essenciais na fabricação de itens como veículos elétricos e armamentos inteligentes — e abriu duas investigações sobre equipamentos médicos produzidos pelos EUA, um dos poucos segmentos onde os americanos ainda têm competitividade industrial.

Outra pancada: a China suspendeu as importações de frango de cinco das maiores exportadoras agrícolas americanas, além de cancelar compras de sorgo de uma sexta companhia.

Essas medidas vêm como resposta à ofensiva de Trump, que além das novas tarifas de 34%, já havia imposto uma taxação de 20% anteriormente. Embora os produtos americanos afetados sejam menos numerosos — devido ao desequilíbrio comercial entre os dois países — o recado de Pequim é claro: não haverá tolerância.

No ano passado, os EUA venderam cerca de US$ 147,8 bilhões em produtos para a China, incluindo chips, combustíveis e grãos. Já os chineses exportaram quase o triplo para os americanos — US$ 426,9 bilhões — em itens como smartphones, brinquedos e móveis.

Diferente dos EUA, que pouparam setores estratégicos como semicondutores e produtos farmacêuticos das novas tarifas, a China não deixou nenhuma categoria de fora.

O Ministério das Finanças chinês não poupou palavras em sua crítica às ações de Trump: “Essa prática viola as normas do comércio internacional, prejudica os direitos legítimos da China e representa um típico caso de intimidação unilateral”.

A escalada coloca o mundo em alerta. A resposta chinesa, segundo analistas, mostra que o país se considera mais preparado para encarar um embate comercial do que na primeira gestão de Trump. Além disso, o governo chinês já sinaliza uma mudança de rota: buscar novos mercados para seus produtos, o que pode gerar uma enxurrada de produtos chineses em países como Brasil, México e nações europeias — pressionando a concorrência, especialmente nos setores automotivo e têxtil.

Reações pelo mundo

Na Europa, o ministro da Economia e Finanças da França, Éric Lombard, declarou que a União Europeia se reunirá na próxima semana para preparar uma resposta à altura. “Precisamos estar na mesa de negociações como iguais”, afirmou, criticando a postura agressiva de Trump.

O Brasil também se movimenta. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o país irá adotar todas as medidas cabíveis para proteger os interesses nacionais após os EUA imporem uma tarifa de 10% sobre exportações brasileiras. Ele citou como base legal a recém-aprovada Lei da Reciprocidade Econômica e as normas da Organização Mundial do Comércio (OMC).

No Canadá, o primeiro-ministro Mark Carney reforçou a necessidade de alianças com parceiros comerciais confiáveis. Ele afirmou que já dialoga com líderes europeus e latino-americanos para fortalecer vínculos frente ao isolamento americano. O México, por sua vez, celebrou estar fora das tarifas gerais e vai manter seu acordo com a União Europeia, priorizando ajustes nas áreas automotiva e siderúrgica.

O que se vê, portanto, é um movimento global de reação. Um novo xadrez comercial está se desenhando — e os próximos lances podem definir o futuro do comércio internacional por muitos anos.

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