Choveu, apagou: a Enel repete o roteiro do descaso em São Paulo

Choveu, apagou: a Enel repete o roteiro do descaso em São Paulo

Mais de 70 mil imóveis ficam sem energia após temporal, e a capital volta a pagar o preço da ineficiência da concessionária

Bastou mais uma tarde de chuva forte para São Paulo mergulhar, outra vez, no velho conhecido breu. Após o temporal desta terça-feira (16), mais de 70 mil imóveis ficaram sem energia elétrica na capital e na região metropolitana — um número que escancara não apenas os efeitos do clima, mas principalmente a fragilidade crônica do serviço prestado pela Enel.

Segundo dados da própria concessionária, a cidade de São Paulo liderou o apagão, com quase 60 mil imóveis às escuras. Ribeirão Pires e Santo André vieram logo atrás, como se o apagão tivesse um mapa previsível: onde chove, a luz cai; onde a Enel atua, o prejuízo é certo.

A Defesa Civil havia alertado com antecedência sobre a chegada de uma frente fria, com possibilidade de ventos fortes, raios e até granizo. Nada disso era surpresa. Mesmo assim, o sistema mostrou-se novamente incapaz de suportar um cenário que já virou rotina. Árvores caem, postes cedem e a população fica refém de um serviço que parece sempre improvisado, sempre atrasado, sempre insuficiente.

O Centro de Gerenciamento de Emergências colocou toda a capital em estado de atenção para alagamentos, enquanto moradores precisavam lidar não só com a chuva, mas também com a falta de luz, elevadores parados, comércios prejudicados e noites no escuro. É o tipo de transtorno que não se explica apenas pelo clima — se explica pela negligência.

A repetição desses episódios torna inevitável o repúdio. Não é aceitável que, em uma das maiores metrópoles do mundo, a concessionária responsável pela energia trate cada chuva como um evento extraordinário. Extraordinário, na verdade, seria um temporal passar sem apagão.

Enquanto a Enel coleciona multas, promessas e explicações técnicas, a população acumula prejuízos, indignação e a sensação de abandono. Choveu de novo. Faltou luz de novo. E a pergunta permanece acesa, mesmo no escuro: até quando São Paulo vai pagar essa conta?

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