Climão no STF: Cid debocha, advogado se exalta e Moraes impõe ordem

Climão no STF: Cid debocha, advogado se exalta e Moraes impõe ordem

Sessão sobre tentativa de golpe vira palco de tensão após risada de Cid diante de pergunta sobre reunião no Alvorada

Durante o depoimento desta segunda-feira (14) no Supremo Tribunal Federal, o clima pesou. O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, soltou uma risada ao ouvir uma pergunta do advogado Jeffrey Chiquini, que representa Filipe Martins, ex-assessor internacional do ex-presidente.

A pergunta dizia respeito a uma suposta reunião ocorrida no Palácio da Alvorada, em 19 de novembro, envolvendo a elaboração da chamada minuta do golpe. A risada de Cid foi o estopim. O advogado se irritou e confrontou Cid em plena audiência: quis saber o motivo da zombaria.

O ministro Alexandre de Moraes, que presidia a sessão, interveio imediatamente, pedindo ordem e advertindo o advogado para que não tumultuasse os trabalhos.

Cid reafirma versão sobre tentativa de golpe

Mais cedo, Cid havia repetido declarações contundentes: disse que Bolsonaro não apenas teve conhecimento, mas chegou a editar a minuta do golpe, com o intuito de interferir diretamente nas eleições de 2022. Apontou ainda Filipe Martins como um dos autores do texto e afirmou que o ex-assessor participou de uma apresentação do documento a chefes militares, no próprio Alvorada.

Análise com viés político

Ainda na sessão, outro depoimento chamou atenção. O analista de inteligência Clebson Vieira, que trabalhou no Ministério da Justiça no governo Bolsonaro, contou que recebeu ordens para produzir relatórios eleitorais com forte viés político.

Segundo ele, a missão era cruzar dados do segundo turno das eleições com regiões supostamente dominadas por facções criminosas — especialmente o Comando Vermelho — numa tentativa de associar resultados eleitorais a influência do crime organizado.

O julgamento segue

As oitivas fazem parte da apuração da tentativa de golpe atribuída a núcleos ligados ao bolsonarismo. E se a expectativa era por um dia técnico e silencioso, o que se viu foi um desfile de ironias, estresse e revelações que aumentam a pressão sobre os réus — inclusive sobre o próprio Bolsonaro.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias
Tags